Arquivos por ano 2017

Aprofundar o conhecimento da vida

Aprofundar o conhecimento da vida

Quem sou, de onde venho, para onde vou?

 

 

Aprofundar o conhecimento da vida, maior relacionamento com Deus e com as pessoas, reflexões que estão relacionadas à condição humana, à inquietude com as perguntas fundamentais da vida: quem sou, de onde venho, para onde vou? Victor Frankl, nos alerta para o fato de que a principal motivação do ser humano está em encontrar o propósito e o sentido da existência humana, o significado de sua vida. Será que já sabemos o nosso?

Maristela Negri Marrano

A BELEZA DAS VELHAS ÁRVORES É DIFERENTE DA BELEZA DAS ÁRVORES JOVENS

A BELEZA DAS VELHAS ÁRVORES É DIFERENTE DA BELEZA DAS ÁRVORES JOVENS

 

DESCUBRA OS CAMINHOS PARA O ENTENDIMENTO DO SER QUE VIVE E CONSEQUENTEMENTE ENVELHECE.

Em 2001, Rubem Alves já dizia “Sessenta e oito anos! Nunca imaginei que isso iria me acontecer. Fiquei velho. Não é ruim. A velhice tem uma beleza que lhe é própria. A beleza das velhas árvores é diferente da beleza das árvores jovens. Triste é quando as velhas árvores, cegas para a sua própria beleza, começam a imitar a beleza das árvores jovens. Aí acontece o grotesco”.

Olavo Bilac também traz-nos esta reflexão em seu Poema: Velhas Árvores

Olha estas velhas árvores, mais belas

Do que as árvores novas, mais amigas:

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas…

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas

Vivem, livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!

Envelheçamos rindo! envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,

Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem!

Pois bem, chega um momento em nossas vidas que envelhecer se torna relevante, mais evidente, ou seja, torna-se mais perceptivo. O momento é diferente para cada um. Eu senti a passagem do tempo quando os amigos de meus filhos começaram a me chamar de Tia. Engraçado, os que têm a mesma idade que você ou mais, te chamam de você, os mais novos, de Senhora! A primeira vez que ouvi, achei estranho, soou diferente! Aí eu percebi, o tempo passou! Como nos diz Spidurso (2005, p. xi), “[…] a consciência pode ser repentina ou sutil, porém, em uma determinada idade, cada um de nós realmente compreende pela primeira vez que não somos imortais”.

Rubem Alves (2001, p.21) nos relata sua descoberta, “foi assim que eu me descobri velho, ao ver a minha imagem refletida no espelho dos olhos daquela moça”. A moça a que o autor se refere é a que lhe cedeu o lugar no assento do metrô. O mesmo nos relata o início de seu “caso de amor” com a velhice: “ Primeira premissa: eu sou velho, o gesto da moça do metrô o atesta. Segunda premissa: a velhice é a tarde imóvel, banhada por uma luz antiquíssima; a metáfora poética assim o declara. Terceira premissa: essa tarde imóvel me encanta, é bela. Conclusão: a velhice é bela como a tarde imóvel”.

Outro dia estava passeando com minha mãe e de repente reencontramos uma amiga que há muito ela não via, conversaram, relembraram da infância no sítio, falaram dos filhos, netos, e se despediram. Em seguida minha mãe falou: – Nossa como ela envelheceu! Neste instante respondi a minha mãe: – Será que ela não está pensando o mesmo em relação à Senhora? Minha mãe riu muito e disse: – Ah… é bem provável!

Será que nosso inconsciente ignora a velhice? A velhice está presente no outro e também somente a partir do olhar do outro, vemos que estamos velhos. Resgato os dizeres de Beauvoir (1990, p. 353) para nos auxiliar nesta reflexão: “É normal, uma vez que em nós é o outro que é velho, que a revelação de nossa idade venha dos outros. Não consentimos nisso de boa vontade. Uma pessoa fica sempre sobressaltada quando a chamam de velha pela primeira vez”.

O envelhecer é único para cada ser humano, um processo de transformação contínua em seu tempo vivido. Há diferenças na percepção, no ritmo, na duração e nos efeitos deste processo. Uns se preocupam mais do que os outros com as marcas corporais deixadas pelo tempo, como os cabelos brancos, rugas, flacidez muscular e muitos tem medo de que com a velhice venha a solidão, a dependência física, econômica e a morte. Minayo (2006) nos revela que estudos antropológicos com idosos brasileiros mostram que, mesmo sofrendo enfermidades e dependências, muitos idosos consideram-se saudáveis (percepção subjetiva) se ao lado de condições materiais de sobrevivência podem contar com redes de apoio social, com ênfase no afeto e na solidariedade familiar e social.

Bobbio (1991) e Neri (2001) nos ajudam a delinear os caminhos do Ser que vive e consequentemente envelhece, Ser este, que deverá desenvolver e adquirir as seguintes habilidades: De entender que a velhice não é uma cisão em relação à vida anterior e sim uma continuação da criança, da adolescência, da juventude, da maturidade que podem ter sido vividas de maneiras diferenciadas; Em ter conhecimento de si, reconhecendo que em nosso corpo envelhecido está à verdade de nossa existência, um processo contínuo de transformações, que supõe fenômenos biológicos, físicos, sociais, culturais, espirituais interdependentes. De ter consciência de seus desejos, metas, sentido de direção, abrir-se para o mundo, com sonhos, projetos, na perspectiva do querer, do seguir adiante buscando a autosuperação; E de ter a clareza que a velhice é uma realidade multifacetada, uma etapa de encantos e também desencantos.

A beleza transcende ao tempo, pois quando descobrimos que somos um todo indissociável, compreendemos que ser um ser humano idoso é apenas uma maneira de adquirir beleza.  Assim, Monteiro (2004, p. 8) nos revela: “Não precisamos pensar que ser jovem é ser bonito e ser velho é ser feio, pois a beleza está em nós porque somos seres com potencialidade irrestrita, somos instáveis e envelhecemos. Se não envelhecêssemos não teríamos nenhuma possibilidade. Como posso acreditar que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje? Porque envelheço. Envelhecer é mudar, é ir além da forma de nós mesmos, buscando descobrir um melhor caminho de ser e de viver. Quando acreditamos nisso um novo horizonte se abre aos nossos olhos”.

Maristela Negri Marrano

ENVELHECER SAUDÁVEL E FELIZ!

Proporcionar um envelhecimento saudável, ativo e repleto de perspectivas positivas com relação ao futuro.
Em vista disso, há três anos as mestras em educação física e pós-graduadas em neurociência aplicada à longevidade Alessandra de Souza Cerri e Maristela Negri Marrano se uniram para criar o Clap — Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba, voltado majoritariamente às pessoas acima de 50 anos, mas sem deixar de atender pessoas abaixo dessa faixa etária.
O centro oferece atividades como ginástica preventiva, fortalecimento feminino, alongamento funcional, danças circulares, ritmos dançantes, yoga e tai chi chuan, além de cursos de atualização e educação permanentes com aulas de temáticas variadas, oficina da memória e saúde mental e oficinas específicas como cérebro cantante.
“Utilizamos de toda a nossa experiência e conhecimento com essa faixa etária advinda das atuações como coordenadoras de faculdades da terceira idade. Dessa forma, estruturamos o Clap agregando todas as atividades que acreditamos serem importantes para um envelhecimento bem-sucedido”, falou Alessandra.
“O intuito é promover mudanças de paradigmas e atitudes possibilitando assim que os participantes sejam agentes transformadores de sua realidade histórico- social, como também se preparem para um envelhecimento mais saudável, pois envelhecer bem é um caminho que precisa ser construído e conquistado”, completou Maristela. Comprometimento é a palavra de ordem que, junto ao empoderamento feminino, resulta em realização e sucesso.
Clap: Rua José Ferraz de Camargo, 460, São Dimas Telefone: (19) 3377-9332 ou 3377-9334

CLAP – Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba

 

SOBRE O CLAP – Idealizado pelas professoras Alessandra Cerri e Maristela Negri, especialistas em educação para a terceira idade, o ambiente do Clap estimula a saúde física, mental, espiritual, cultural e social e está estruturado em pilares científicos e cognitivos, construídos a partir de experiências pessoais e decorrentes do próprio convívio com grupos da melhor idade há mais de 12 anos. As aulas do Clap ocorrem as segundas e quartas-feiras, das 15 às 16h30; e nas terças e quintas-feiras, das 14 às 17 horas. As turmas não são avaliadas por provas e não precisam realizar tarefas comuns do ensino formal. Nos demais dias da semana, o Clap permanece aberto com atividades diversas como oficinas, atividades motoras (ginástica preventiva, alongamento funcional, fortalecimento feminino, danças circulares, ritmos dançantes e Yoga), palestras e cursos multitemáticos. Localizado no bairro São Dimas, o Clap conta com sala de aula climatizada (capacidade para 60 alunos), recursos multimídia, recepção e instalações totalmente adaptadas em acordo com as normas ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) de acessibilidade.

 

Com foco na faixa etária acima de 50 anos, mas aberto a todas as idades, as aulas do Curso de Atualização Permanente do Clap ocorrem as segundas e quartas-feiras, das 15 às 16h30. As turmas não são avaliadas por provas e não precisam realizar tarefas comuns do ensino formal. Nos demais dias da semana, permanece aberto com atividades diversas como oficinas, atividades motoras (ginástica preventiva e oriental, alongamento funcional, fortalecimento feminino, danças circulares, dança livre e ioga), palestras e cursos multitemáticos.