PSEUDODEMÊNCIA

PSEUDODEMÊNCIA

PSEUDODEMÊNCIA: um alerta do seu cérebro

 

A pseudodemência vem sendo considerada um problema de saúde pública uma vez que, segundo Richard Petersen, um dos maiores  pesquisadores do assunto, é tida como um estágio intermediário entre um envelhecimento saudável e a demência “real”.

A pseudodemência é também chamada de comprometimento cognitivo leve (CCL) e, como o próprio nome sugere compreende algumas disfunções cognitivas que prejudicam a eficiência da memória, tempo de reação, concentração, raciocínio, entre outros. No entanto, esses déficits cognitivos na CCL não afetam, a priori, a autonomia para execução das atividades da vida diária (AVDs).

Por esse motivo a CCL vem ganhando tanta importância, pois enquanto uma “falsa” demência ela permite a recuperação, desde que, haja uma ação adequada. Por esse motivo, podemos entendê-la como um sinal de alerta do cérebro para a necessidade de intervenção.

 

O reconhecimento através de exames e avaliações neuropsicológicas corretas juntamente com avaliação médica é de extrema importância, pois, favorece estratégias de intervenção num tempo adequado e eficiente para se diminuir a probabilidade de uma demência se instalar.

Essa intervenção envolve principalmente exercícios de treino cognitivo específicos e adequados, mas também, participação em atividades físicas e atividades que promovam a socialização. Ou seja, envolve estimulação variada e correta das várias funções cerebrais.

Vale ressaltar que a depressão e a ansiedade, duas síndromes recorrentes em nossa população contribuem diretamente para o aumento de casos de pseudodemência, inclusive alguns autores consideram também a pseudodemência depressiva. Essas duas síndromes prejudicam significativamente o funcionamento do córtex pré-frontal  (CPF), nossa grande área executiva. Por esse motivo pessoas que sofrem de ansiedade e depressão encontram dificuldade nos processos de memorização, concentração, atenção; evitam o convívio social e, encontram dificuldades no sono. Sendo assim, elas se tornam mais vulneráveis ao desenvolvimento de CCL.

Nossa vida acelerada, marcada por avanços tecnológicos contínuos, informações instantâneas e constantes, mídias sócias que influenciam diretamente o comportamento e o equilíbrio emocional das pessoas, contribuem muito para o crescimento dessas síndromes e, consequentemente impactam no aumento de casos de pseudodemência na população, especialmente as mulheres acima dos 55 anos, de acordo com os pesquisadores Iacoviello e Mathew.

A promoção de atividades cognitivas e físicas que estimulem o cérebro e promovam a socialização são de extrema importância e, fazem parte de medidas ligadas à saúde preventiva. O entendimento de que toda forma de acomodação, sedentarismo e isolamento são extremamente perigosos para o funcionamento cerebral pode gerar mudanças de comportamento significativas para uma vida melhor e mais saudável.

Finalizo o texto de hoje com uma frase que gosto muito do Dr. Waldemar Magaldi Filho (2009) “ A preguiça pode ser o prenúncio da necrose psíquica”        

Até a próxima, namastê!

 

Ms. Alessandra Cerri;

sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência aplicada à longevidade e pós-graduada em psicossomática

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