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Coronavírus: o caos que despertou nossos maiores medos    

Coronavírus: o caos que despertou nossos maiores medos    

O Brasil assim como outros países está enfrentando a realidade do coronavírus. Ainda não sabemos a extensão dos estragos que o vírus fará por aqui, mas já podemos perceber que o vírus em si não é tão perigoso quanto o estresse emocional que estamos vivenciando antes mesmo do pior período chegar.

Um vírus minúsculo, mas com forte poder de destruição está nos levando a entrar em contato com nossos maiores medos: medo de não termos controle, de adoecermos ou perdemos pessoas que amamos, medo de faltar alimento, medo da solidão… enfim, nossos medos mais instintivos e primitivos estão nos atormentando.

Mais que isso, esse caos instaurado pelo coronavírus (e pela histeria das pessoas) está nos obrigando a fazer algumas reflexões profundas sobre nossa realidade enquanto seres humanos. Trabalhamos tanto (não tendo tempo para coisas simples ou para pessoas que amamos), queremos acumular tanto e, ironicamente, agora estamos com tempo e não sabemos o que fazer direito com ele e pior: estamos com tempo mas, sem poder, muitas vezes, estar com  pessoas que amamos ou gastando o dinheiro que acumulamos . Grande ironia da vida essa….

Estamos percebendo de uma maneira assustadora que a humanidade é um enorme sistema e que o que um órgão (e esse órgão pode ser um país) faz, ainda que a quilômetros de distância, tem um impacto direto em nossa vida. Consequentemente, devemos entender que o que fazemos também tem um impacto na vida de outros. Enfim, percebemos que não vivemos alienados numa bolha…

Também estamos percebendo que embora vivamos para os outros e tenhamos uma necessidade louca de mostrar e exibir nossos feitos, temos uma fragilidade imensa ao estarmos em contato com nós mesmos, nossos pensamentos muitas vezes nos assustam, nos causam insegurança.

Sempre acreditei e continuo acreditando que o caos é muito necessário para as várias formas de evolução: seja ela, ambiental, empresarial ou pessoal então acredito que a humanidade esteja passando por esse caos, por que talvez essa seja a única maneira que o universo tenha encontrado de estabelecer o equilíbrio, perdido com a arrogância humana em se achar Deus, em se achar no controle de tudo.

Perdemos o equilíbrio quando achamos que o dinheiro e o poder compram tudo e todos, perdemos o equilíbrio quando achamos que somos melhores em função de títulos e cargos, perdemos o equilíbrio quando nos negamos a enxergar os constantes avisos de ameaça da natureza, perdemos o equilíbrio quando nos negamos a aceitar o envelhecimento (através de inúmeros procedimentos e medicamentos) e a finitude da vida.

É claro que estamos todos assustados com os últimos acontecimentos, mas que saibamos aproveitar esse período de quarentena para entrarmos em contato com nós mesmos; que saibamos refletir e diferenciar as reais necessidades da raça humana frente aos desejos insaciáveis tão tentadores numa sociedade voltada para o exterior e para o consumo; que saibamos entender que a felicidade pode estar exatamente na simplicidade da vida: no simples fato de estarmos com saúde e ao lado dos que amamos (agora enfim, conseguimos entender o valor de um abraço).

Somos seres acomodados, não gostamos de sair da nossa zona de conforto e muito menos abrir mão de nosso bem estar ou, perder nossa sensação de controle. No entanto, estamos vivendo uma situação momentânea de ameaça (que passará tenho certeza), mas que está nos obrigando a fazer certas mudanças. Talvez a maior delas seja aceitarmos que o coletivo é a única saída para a evolução humana.

Finalizo com a sábia frase de Albert Einstein “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Ninguém passa ileso por um caos; que saibamos então entender as necessidades de mudança, e as prioridades para evolução da raça humana.

Até a próxima, namastê!

 Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática.

Não é só a distância que nos separa do Japão

 Não é só a distância que nos separa do Japão

Tive o privilégio de conhecer o Japão, visitei a capital Tóquio, Kioto e Osaka. Já visitei outros países, mas acho que nenhum me impactou tanto quanto o Japão. O impacto não foi só pelos belíssimos e impressionantes templos e paisagens super bem preservados ou, pelo reconhecido avanço tecnológico, visível em todos os detalhes; embora tenha me surpreendido com essas coisas também, o que me impressionou mesmo foi a civilidade e a educação dos japoneses; o que os diferencia é a preocupação genuína e o respeito com o próximo.

Imagino que essa educação e gentileza estejam diretamente ligadas a espiritualidade cultivada por esse povo. Uma espiritualidade que não está, necessariamente, ligada à religião. Ela está relacionada à busca por um significado mais amplo da vida, está ligada a compreensão de que estamos todos interligados e que nossas atitudes interferem na vida de outros, está relacionada a busca constante por evolução existencial.

Dentro desse contexto David Tacey comenta que a espiritualidade deve ser entendida como uma conexão, um sentir-se unido a uma totalidade maior que transcende o ego e o individualismo.

Por esse motivo, em minha opinião, o povo japonês valoriza profundamente seus ancestrais e, expressa sua espiritualidade entendendo a importância de se fazer o melhor e de se buscar a atitude correta diante das situações diárias. Os estrangeiros percebem isso na cordialidade com que são tratados em todos os lugares, constatam isso nas filas naturalmente organizadas no metrô em pleno horário de pico (não existe correria, tão pouco existe empurrões ou gritaria) ou no silêncio dentro dos metros, trens (gentilmente é solicitado que os celulares fiquem no modo silencioso, você não imagina a sensação de paz que isso traz), reparam na inacreditável limpeza de todos os lugares públicos (até mesmo de banheiros públicos).

Como brasileira senti a enorme distância entre os países, mas infelizmente, essa distância não está só na posição geográfica; está na triste imaturidade evolutiva que nós brasileiros estamos, está no inerente senso de oportunismo, o “tirar vantagem”, que por tantas vezes fica evidente em nosso país, seja nos vários níveis de corrupção, seja no trânsito, seja nas variadas formas de se tentar burlar a lei, seja na falta de respeito com que tratamos os mais velhos …

Essa distância fica evidente na falta de consciência que nós temos do outro, da falta de consciência que temos de que tudo o que fazemos vai ter um impacto direto ou indireto na vida do outro. Nesse mundo acelerado, exteriorizado e individualista que estamos vivendo pessoas que tem a percepção e a compaixão com o outro acabam sendo diferenciadas e, normalmente tem uma preocupação com o auto – aprimoramento espiritual e moral.

Essa espiritualidade exercida no Japão tem também um impacto direto na saúde dessa população que está entre as mais saudáveis e longevas do mundo, sendo inclusive a principal dentro de um dos maiores estudos em longevidade, denominado Blue Zones.

Brigitte Dorst analisando os trabalhos de Jung sobre espiritualidade e transcendência comenta que a ciência tem encontrado evidências muito fortes sobre a relação entre a espiritualidade e a saúde em indicadores como redução de estresse, melhora da expectativa de vida, redução de doenças cardíacas e circulatórias e do incremento de bem-estar.

Precisamos exercitar nossa espiritualidade para termos uma maior consciência de nós mesmos, do outro e da existência de algo maior que nos dê um propósito de busca pelo sentido de vida, um caminho para sermos melhores, mais civilizados e preocupados em deixar bons legados. Precisamos trabalhar nossa espiritualidade através do olhar “para dentro”, aceitando nossas fragilidades, reconhecendo (com humildade) nossas forças, refletindo sobre as possíveis melhoras em nossa trajetória, valorizando a presença e o cuidar do próximo.

Finalizo o texto de hoje com uma frase de Mahatama Gandhi “A única revolução possível é dentro de nós”

Até a próxima, namastê!

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática.

COMO HOMENS E MULHERES LIDAM COM A PASSAGEM DO TEMPO?

COMO HOMENS E MULHERES LIDAM COM A PASSAGEM DO TEMPO?

Um domingo bonito de sol, acordei e percebi que meu marido não estava mais ao meu lado. Levantei e fui procurá-lo, encontrei-o diante o espelho. Sem perceber a minha presença, iniciou o processo de fazer a barba deixando a pele do rosto bem lisinha. Fiquei ali em silêncio, observando o seu ritual e também os primeiros fios de cabelos brancos, realçados pela luz do sol que entrava pela fresta da janela.

Isso me trouxe a consciência parte do conjunto de símbolos que para mim, representa o ser masculino, e também parte do que representa a passagem do tempo, os fios de cabelos brancos. Em momentos como esse a reflexão se faz presente e percebi que ambos estamos envelhecendo, mas também percebi que há diferenças na maneira como homens e mulheres encaram o envelhecimento.

Temos um Centro de Longevidade e atualmente só temos mulheres, aliás, mais de 100 mulheres. Aí vem a pergunta que não quer calar, por que os maridos não frequentam? Temos algumas alunas viúvas, mas em sua maioria são casadas e os maridos, a maioria também já são aposentados. A resposta de nossas alunas: “ah…o meu marido fica a tarde toda na televisão, e ainda reclama, porque diz que eu não paro mais em casa, mas agora eu tenho coragem de dizer, bom, eu te convidei e é você que não quer ir, mas tchau, eu vou”.

O que algumas pesquisas nos trazem a respeito das diferenças de gênero no processo de envelhecimento é que os homens em geral não gostam e não procuram ajuda médica, a não ser quando acontece algo mais grave, e quando precisam ainda resistem a obedecer aos tratamentos. São mais propensos a fumar, beber em excesso, a engordar, não gostam de seguir uma dieta e também correm mais riscos na vida.

A aparência na velhice masculina não é tão centrada na aparência como é na mulher. A preocupação dos homens está mais relacionado ao papel social, já que querem continuar sendo úteis, ativos, produtivos e provedores. O envelhecimento masculino vem muitas vezes acompanhado pelo medo, vergonha, da mudança de papeis, deixar de ser o protetor, provedor para ser alguém que de repente precisa de cuidados. Aí quando vem a aposentadoria, sentem-se incapazes por sua força de trabalho não ser mais considerada interessante para o mercado de trabalho, com essa nova realidade acabam ficando perdidos, conforme o relato de outra aluna: “nossa, não sei o que fazer com o meu marido em casa, agora que se aposentou, trombamos a todo momento, ele não encontra o espaço dele, parece perdido, aí reclama quando eu saio.”

 Muito provavelmente, esse comportamento seja o reflexo de toda uma vida, pautada na figura do homem másculo, forte, provedor, que exercia o poder sobre a família e dominava o espaço público. Entretanto, com o advento da idade e da aposentadoria, esse homem terá que “aprender” a conviver e a interagir no espaço social historicamente reservado à mulher, que é o espaço doméstico e a família.

Talvez, a vergonha, o medo da nova realidade, seja um dos motivos que faz com que os homens sejam mais reservados do que as mulheres na velhice.  O que os homens querem agora é ter o aconchego da família e do lar, mas terão que lidar com a resistência e falta de flexibilidade ao lidar com mudanças, criar novos papéis, pois parece perdido, conforme relato acima, em um espaço que nunca lhe foi atribuído.

Quanto as mulheres, ao chegar aos 60 anos, deixam de se preocupar com os padrões estéticos, assumem a própria identidade, e param de se preocupar com o que os outros estão pensando ou dizendo. Quando mais jovens, elas não puderam ser livres, cuidavam da casa, dos filhos, do marido e muitas trabalhando fora. Agora, querem a liberdade para viverem de acordo com suas próprias regras, valorizam muito o tempo que tem, seja estudando, saindo com a família, com as amigas, indo ao cinema, tomando o chá da tarde, enfim, apreciam tudo o que a vida lhe oferecer. Elas também gostam do aconchego da família, mas também gostam de falar muito, dar muita risada, viajar, dançar, cantar.

Por mais que hajam diferenças no envelhecer de homens e mulheres, faz-se necessário que ambos cultivem a autonomia física, psíquica e financeira, valorizando e cultivando a liberdade, dignidade, respeito e sabedoria, para que todos possam envelhecer com muita qualidade de vida, saboreando e celebrando a vida!

E você caro leitor, o que você pode acrescentar em seu dia a dia para iluminar sua vida?

 

Maristela Negri

Pós-graduada em Neurociências aplicadas a Longevidade – UFRJ

Pós-graduada em Atividade Física e Qualidade de Vida – UNICAMP

Mestre em Educação Física – UNIMEP

Sócia-Diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba – CLAP

marismarrano@terra.com.br

NOSSAS AFLIÇÕES MENTAIS

NOSSAS AFLIÇÕES MENTAIS

Buda em sua infinita sabedoria nos deixou uma frase de grande ensinamento:   “não resida no passado, não sonhe no futuro, concentre sua mente no momento presente” . Essa frase nos deixa claro que o grande problema de perturbação mental é não estar no momento presente, principalmente porque se não estamos no presente significa que não estamos conscientes e consequentemente, ficamos mais vulneráveis às nossas percepções.

O tempo todo nosso cérebro está trabalhando interpretando as informações que recebemos do meio externo (recebidas por nossos órgãos do sentido). No entanto, a interpretação dessas informações pode ser alterada pela nossa parte interna, pelo nosso sistema límbico que coordena nossas emoções. Ou seja, muitas vezes a realidade do evento é modificada pela nossa percepção, muitas vezes inconsciente (onde habitam nossos medos, traumas e inseguranças).

A nossa percepção de um evento, de uma pessoa, ou de um fato, segundo Yongey Rinpoche (2007) pode ser prejudicada em função de três aflições mentais ou “perturbadores”: ignorância, apego e aversão. A ignorância considerada por Cícero (45 a.C) “a maior enfermidade do gênero humano” está relacionada ao nosso desconhecimento, a nossa falta de informação em relação a um evento, uma pessoa ou coisa e, em função dessa nossa ignorância podemos errar em nosso julgamento. Voltando àquela frase inicial de Buda, entendemos que o perigo de sonhar com o futuro, ou sofrer por ele está justamente no fato de não conhecermos esse futuro, pois se ele não aconteceu ainda, é desconhecido, não sendo uma realidade. E é justamente esse um dos maiores sintomas da ansiedade: ficamos em alerta, nos “defendendo” de algo, ou de alguém que na verdade não estamos em contato  real.

Outro aspecto citado na frase de Buda trata da questão do apego; uma vez que residir no passado é estar apegado a ele, é estar apegado a pensamentos, a acontecimentos que já tivemos, mas que na realidade já passaram. Muitas vezes ficamos presos a algumas crenças e lembranças porque imaginamos que elas nos protegem da mudança e/ou justificam nossas verdades. Dessa maneira, embora muitas vezes o fator de apego nos faça mal continuamos apegados a ele simplesmente porque ele nos dá a certeza de algo conhecido e com isso não nos permitimos enxergar o real, o presente.

E, a terceira aflição a aversão pode ser caracterizada por uma repulsa, ódio, rancor a uma determinada pessoa, a uma determinada situação e na grande maioria das vezes a aversão surge porque não nos permitimos refletir, avaliar uma pessoa ou uma situação com um sentimento de compaixão ou generosidade. Segundo Yongey Rinpoche (2007) cada forte apego gera um medo igualmente poderoso de não conseguirmos o que queremos ou de perdermos tudo o que já conseguimos”.

As aflições mentais fazem parte de nossa vida, principalmente porque somos seres humanos e somos dotados de emoção. No entanto, somos dotados também de algo que nos diferencia de todos os outros animais que é a capacidade de refletir e pensar e, é justamente quando usamos esse privilégio que podemos nos proteger mais das armadilhas colocadas por nossas emoções aprisionadas. São essas emoções passadas, ou futuras que nos impossibilitam de viver no presente, vendam nossos olhos para o real e fecham as portas para o novo.

Não por acaso, muitos pesquisadores entre eles Richard Davidson vem apontando o conceito do saborear (saborear o momento, saborear um abraço, uma música, uma comida) como uma das habilidades mais importantes para a felicidade. O saborear nos permite estar atento e consciente do presente.

Finalizo o texto de hoje com uma das minhas frases favoritas de Jung “ até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir a sua vida e você vai chama-lo de destino”

O presente recebe esse nome porque é uma dádiva, viva-o!!!!!

Até a próxima,

Namastê!!!      

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática        

O que o maestro João Carlos Martins nos ensina    

O que o maestro João Carlos Martins nos ensina     

Se observarmos com atenção, perceberemos que ao nosso redor existem vários heróis anônimos, pessoas que conseguem ser fortes, diferenciadas e nos transmitem algo com suas histórias…

Semana retrasada assisti a um concerto do pianista e mastro João Carlos Martins. É o terceiro que assisto e, pela terceira vez me emociono profundamente, vê- lo tocando ou regendo mexe com minhas emoções, me comove tanto que o enxergo como uma espécie de herói, de mito. Sim, porque para mim, heróis e mitos são pessoas reais com forças “sobrenaturais”,  inexplicáveis para transformar tragédias em histórias de aprendizagens para os que os cercam.

São pessoas que se reconstroem diante de um problema, que tiram forças de seu interior e continuam seguindo em frente sem se lamentar ou olhar para trás. E o que esse maestro, orgulhosamente brasileiro, fez foi talvez até mais que isso: transformou momentos trágicos e dolorosos de sua vida em momentos de superação, aprendizados e projetos em prol do outro.

Em sua trajetória, bem resumidamente, ele passou por inúmeras cirurgias em função de um acidente que por ironia do destino afeta seu principal instrumento de trabalho, sua mão, passou depois por um assalto e por problemas de saúde; por várias vezes ouviu dos médicos que sua vida na música tinha acabado. Imagina o que significa para uma pessoa que vive da música com uma carreira internacionalmente reconhecida ouvir que estaria impossibilitado de tocar?

Pois bem agora imagine que essa sentença foi dada a uma pessoa especial, um herói que por mais de uma vez decide não aceita-la mas sim, ressignificá-la…. dá para imaginar a força da motivação e da superação desse homem??? Ele se reinventa, ele aprende a tocar de outras formas, ele se descobre um maestro talentoso, se descobre também caçador de talentos através de seu belíssimo projeto “Fundação Bachiana” que visa oferecer novas possibilidades através da música à jovens de comunidades  carentes.

Pela vida de João Carlos Martins podemos observar três atitudes importantes que a ciência tem comprovado estarem diretamente relacionadas a felicidade e a longevidade: propósito de vida (que motiva a seguir em frente), aprendizado constante (que possibilita o brotamento de novas redes neurais) e compaixão/generosidade (através do trabalho ao próximo, o doar-se ao próximo, o colocar-se no lugar do outro).

Com essas atitudes ele segue com eximia maestria encantando a todos no espetáculo da vida, segue olhando para frente abrindo as cortinas da vida para novas possibilidades, permitindo que a sua história sirva de exemplo e inspiração para tantos outros jovens que poderiam se perder na vida ou até mesmo desistir dela.

A vida e obra de João Carlos Martins nos serve de exemplo e ensinamento para que possamos entender que sempre existem novas possibilidades, que sempre devemos seguir em frente regendo nossa vida ainda que os acordes, por vezes, possam estar fora do compasso.

Minha mais profunda admiração e respeito a esse herói brasileiro

Até a próxima,

Namastê

 

Ms. Alessandra Cerri;

Sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática.

 

Neurotransmissores: imprescindíveis para sua saúde

Neurotransmissores:

Imprescindíveis para sua saúde

Imagine que dentro de sua cabeça funciona uma usina fantástica, inigualável onde acontecem inúmeras reações químicas, ininterruptamente, para que você possa fazer todas as suas atividades, desde a mais simples como abrir os olhos à mais complexa como resolver um problema de lógica e planejamento necessário em seu trabalho.

Agora, imagine que você é o gerente dessa usina e através de algumas tomadas de decisão você pode melhorar a produtividade dessa usina, através da maior eficiência das partes que compõem essa usina.

Pois bem, dentro da sua cabeça existe mesmo essa “usina” com bilhões de trabalhadores incansáveis chamados neurônios. Para que esses neurônios passem as informações para as estações de trabalho seguintes eles precisam de uns “facilitadores”, os neurotransmissores, figuras imprescindíveis para que os produtos e serviços da usina sejam produzidos. (5)

Assim sendo, neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios para possibilitar o envio de informações para outras células. Uma vez que os neurônios não se tocam, as trocas de informações são realizadas num local específico chamado de fenda sináptica e, é nesse local que os neurotransmissores são fundamentais para possibilitar e melhorar a troca de informações nas sinapses. (1)

São os neurotransmissores também quem estimulam a continuidade de um impulso para um órgão ou músculo. E eles são produzidos conforme a necessidade e conforme o tipo de informação que precisa ser transmitida.

Dessa forma, existem neurotransmissores específicos como acetilcolina. Esse neurotransmissor é encontrado em maior quantidade em nosso organismo e está relacionado aos músculos cardíacos, células motoras e em tarefas de aprendizagem, memória, ou seja, quando exigimos de nossas funções executivas. (1, 3)

Existe também a serotonina, talvez o mais conhecido e falado por ser responsável pelo bom humor, pela satisfação. Ele está envolvido com a sensação de prazer e calma, além de, auxiliar na regularização do sono, apetite e sistema imunológico. Esse neurotransmissor é produzido em grande quantidade quando fazemos atividade física, quando fazemos atividades que nos dão prazer como encontro com amigos, atividades de lazer e sexo.   (1,3)

Temos também, a dopamina que é um “parente” muito próximo da adrenalina e noradrenalina com a importante missão inibidora do sistema nervoso central, desempenhando papel fundamental na regulação e controle do movimento, motivação e cognição. Ele nos auxilia nas questões de disposição e energia. (1,2)

A noradrenalina conhecida também como norepinefrina, é uma precursora da adrenalina e é ela quem nos faz ficar alerta, sendo assim essencial para a memória e concentração e, também nossos sistemas vitais. (1, 3)

 A endorfina age como um calmante natural, promovendo alívio da sensação de dor, sua produção está relacionada a liberação de dopamina. Muitos processos de dor e dor crônica estão diretamente relacionados a baixa produção desse neurotransmissor, até mesmo influenciado por processos de depressão e ansiedade. (4)

Já deu para perceber que a produção de neurotransmissores tem impacto direto em nossa saúde e em nossa eficiência cognitiva. A questão é, como posso então gerenciar melhor essa usina e melhorar a produção desses cooperadores tão necessários???

Antes de falarmos das dicas, é importante salientar que nosso organismo funciona de uma maneira muito sábia, ele funciona na base da lei da oferta e demanda; ou seja, ele só produz e só aprimora aquilo que ele precisará. Se você vai ficar o dia inteiro assistindo televisão, ou dormindo ele não tem porque melhorar a produção de serotonina, acetilcolina, endorfina etc e, assim como um ciclo vicioso, com a baixa liberação desses e outros neurotransmissores, você vai ficando cada vez mais desanimado, com dificuldade de concentração, memória, baixa motivação e vai comprometendo cada vez mais sua saúde geral e sistema imunológico.

Temos que ter em mente um ditado popular que se encaixa perfeitamente aqui: “máquina que não usa, enferruja”

Vamos então melhorar a produção da sua usina?

ALGUMAS DICAS:

1) Pratique atividade física continuamente isso exigirá que seu cérebro produza mais serotonina, endorfina e acetilcolina, além de fortalecer redes neurais e aprimorar o trabalho de funções executivas

2) Adquira novos aprendizados; a aprendizagem de uma nova língua ou uma técnica nova; isso é importante para que seu cérebro estabeleça novas conexões (neurogênese e sinaptogênese) e, assim aumente a produção de neurotransmissores importantes.

3) Tenha uma alimentação saudável isso interfere na eficiência de seu cérebro e também não desgasta seu organismo com o processamento/digestão de alimentos prejudiciais e pesados

4) Tenha o hábito de rir, conversar e assistir filmes e programas leves que te façam bem, melhorem seu humor e estado de espírito.

5) Adquira o hábito de agradecer as mínimas coisas  e,  observar as coisas simples da vida, como uma paisagem bonita, um entardecer…

Até a próxima,

Namastê!

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduanda em psicossomática.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) ANDRADE, et. al. Atuação dos Neurotransmissores na Depressão.  UNIPLAC., s.d.

2) BEAR, M; CONNORS, B.; PARADISO, M. “ Neurociências: desvendando o sistema nervoso 2008

3) COELHO, T.D.; MACHADO, F.S.; JOAQUIM, M.A.S.  Delirium em Terapia Intensiva: fatores de risco e fisiopatogenia.  Revista Portuguesa de Medicina Intensiva, 2011. 18(3).

4) FOSCHINI, D.; PRESTES, J.; CHARRO, M.  Relação entre exercício físico, dano muscular e dor muscular de início tardio.  Revista Brasileira de Cineantropometria e desempenho humano, 2007. 9(1)

5) LENT, R., “ Cem bilhões de neurônios?.Conceitos fundamentais em neurociências, 2010

NOSSO CÉREBRO TRINO

NOSSO CÉREBRO TRINO

O neurocientista Paul Mac Lean apresentou em 1990 a teoria do cérebro trino em que defendeu que nosso cérebro, assim como todas as espécies de seres vivos, passa por uma evolução através de suas estruturas funcionais.

Essa evolução funcional e estrutural, aceita até hoje, impacta também em nosso comportamento e, de acordo com Magaldi Filho (2014), podemos entender nosso cérebro como composto por três “cérebros”: cérebro reptilíneo, cérebro límbico e neocórtex.

Todos os estímulos que recebemos através dos nossos sentidos são interpretados pelo nosso cérebro e, a partir dessa interpretação ele programa uma resposta. A determinação da resposta está diretamente associada à estrutura do cérebro que “captou” esse estímulo.

Dessa maneira, a primeira estrutura a receber o estímulo é o cérebro reptilíneo que corresponde à nossa estrutura mais primitiva, que responde ao nosso sistema neurovegetativo, ou seja, nossos instintos de sobrevivência e impulsos  por prazeres e, por se tratar de impulsos podemos perceber a questão do imediatismo ligada a essa estrutura. Segundo Magaldi esse cérebro está relacionado ao belo e é caracterizado como egocêntrico.

 

 

Ou seja, quando a resposta a um estímulo é dada somente por essa estrutura ela tende a ser uma reação a uma “necessidade” imediata (impulso) e não passa pelo questionamento da real importância ou da consequência que isso possa ter na vida de outras pessoas. Aqui o indivíduo está muito vulnerável a ceder às tentações.

Já o segundo “cérebro” nomeado de cérebro límbico ou cérebro dos mamíferos inferiores corresponde ao cérebro das emoções. Aqui a resposta dada já é um pouco mais elaborada pois o estímulo chegará em  estruturas mais evoluídas  ligadas a base do telencéfalo que estão ligadas ao convívio com outras pessoas e, consequentemente, esse cérebro tem características sociocêntricas e relacionadas ao que é bom.

Assim sendo, quando a resposta a um estímulo é dada por esse “cérebro” ela tende a ser uma resposta que foi mais analisada e mais tomada pelo lado emocional/afetivo. Uma resposta que considerou o lado bom da resposta a ser dada e avaliou o impacto que isso tem na vida de outras pessoas e não somente o que seria prazeroso.

A estrutura mais evoluída, o  neocórtex (nosso terceiro cérebro) é mais racional dotado de dois hemisférios que trabalham coordenadamente graças ao corpo caloso e, executam atividades aprimoradas de raciocínio, lógica, coordenação, abstração, comunicação e, acima de tudo, reflexão. Aqui busca-se as respostas existenciais da vida, podendo também ter um aspecto de evolução espiritual.

Quando as respostas são dadas porque chegaram a essa estrutura, são ações/atitudes que foram analisadas, refletidas e elaboradas. São respostas que buscaram o aspecto verdadeiro, que buscaram refletir a cerca do que é verdadeiramente importante e que atende a busca por sentido e melhora existencial.

Entender as diferenças dessas estruturas nos permite entender que nossa evolução, enquanto seres humanos, está diretamente relacionada à maneira como respondemos aos estímulos, às tentações e aos problemas que nos chegam. Nos ajuda entender também, que quanto mais fortalecermos nossas funções neocorticais (através de leitura, meditação, atividade física, raciocínio, convívio…) ficamos menos vulneráveis à respostas instintivas uma vez que nos tornamos mais aptos a usar nossas habilidades de reflexão e análise diante das situações. Dessa forma, nos tornamos mais conscientes a cerca de nosso papel frente a nós mesmos, aos nossos semelhantes e ao universo como um todo.

Finalizo o texto de hoje com uma resposta dada por Gandhi quando questionado a cerca do que pode destruir o ser humano: “Política sem princípios, prazer sem compromisso, riqueza sem trabalho, sabedoria sem caráter, negócios sem moral, ciência sem humanidade e oração sem caridade”

Até a próxima,

Namastê!

Ms. Alessandra Cerri;

Sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduanda em psicossomática.

 

IDENTIDADE DA MULHER MADURA NA ATUALIDADE

IDENTIDADE DA MULHER MADURA NA ATUALIDADE

Sabe aquela tarde de domingo gostosa, garoa fina, friozinho, momento propício para minhas próprias reflexões acerca da passagem do tempo, da chegada da maturidade e das escolhas que priorizo. De repente, uma luz, oba vou rever o filme: “Do jeito que elas querem”. Um filme que nos instiga a refletir sobre a identidade da mulher madura da atualidade, claro, sabendo sim das inúmeras dificuldades que passam muitas mulheres nessa fase da vida, discriminações, preconceitos, mas nesse texto, tenho como objetivo, trazer reflexões para que possamos prosseguir com nossas escolhas mais conscientes, priorizando nossos próprios desejos.

O filme traz a história de quatro protagonistas mulheres, bem sucedidas e uma fiel amizade entre si. No decorrer do enredo, as protagonistas, mulheres acima de 60 anos, percebem a estagnação de suas vidas. Trata-se de uma narrativa sobre redescoberta pessoal. Não gira em torno de homem ou relacionamentos, vai muito além, em descobrir ou redescobrir plena liberdade de escolhas.

Já no finalzinho do filme, há um diálogo entre uma mãe e suas filhas, bastante interessante, que resgato aqui para ilustrar nossa reflexão: “Filha: -Mãe, você deve estar exausta! Você não ficou preocupada que na sua idade você dirigiu sozinha ate aqui? Mãe, você poderia ter matado alguém! Mãe: – eu acho que não é para tanto. Filha: – só o fato de não ficar preocupada já me deixa assustada mãe! Mãe: – Ah…meu Deus…Ah…por favor, parem tá bom! Estou falando sério. […] Eu ainda não desisti da vida. Tem coisas que eu quero explorar, eu tenho esse direito. […] a mãe de vocês está vivendo muito bem, eh, eu sei que estou ficando velha, mas eu ainda estou aprendendo, e uma das maiores lições que aprendi é não ter medo de ser feliz. Eu amo vocês, mas eu não vou ficar aqui.”

Num primeiro momento, as filhas, pensando em “proteger” a mãe, acabam reproduzindo o preconceito que ainda existe em nossa sociedade, “negando” à mãe a possibilidade e capacidade de dirigir sozinha, de ter autonomia de ir e vir, de fazer suas próprias escolhas. E a resposta da mãe, acaba representando a busca por essa nova identidade da mulher madura: não desisitir de viver a vida, estar sempre aprendendo, fazer suas próprias escolhas, não ter medo de ser feliz. É um alerta para todas nós.

Trabalho e tenho desenvolvido pesquisas com pessoas deste segmento etário, e tenho constatado que as mulheres nessa fase da vida, assim como as protagonistas do filme citado, estão empenhadas em criar novas possibilidades e significados para suas vidas como podemos constatar nos discursos de algumas de nossas alunas: “ser mulher nessa fase da vida, significa estar no auge da vida pessoal, significa viver em plena liberdade de escolhas, realizar nossos próprios desejos, nossos próprios sonhos,  sem amarras, sem nos importarmos com a idade e com a opinião dos outros, exercendo a capacidade de escolhermos o que é melhor para nós mesmas.”

Podemos observar, que tanto as protagonistas do filme, como nossas alunas, após uma vida sobrecarregada com a criação dos filhos, cuidados com a casa, marido, trabalho, descobriram agora que são donas de seu próprio tempo, não respondem mais as demandas e expectativas dos outros, agora sentem que conquistaram a liberdade de ir e vir, fazer e não fazer, de ser “elas mesmas”, com suas próprias escolhas, sendo protagonistas de suas vidas, valorizando mais suas próprias vontades, entendendo que as descobertas continuam, pois somos todos eternos aprendizes.

E você, cara leitora, é a protagonista de sua própria vida?

Até mais.

 

Maristela Negri

Pós-graduada em Neurociências aplicadas a Longevidade – UFRJ

Pós-graduada em Atividade Física e Qualidade de Vida – UNICAMP

Mestre em Educação Física – UNIMEP

Sócia-Diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba – CLAP

marismarrano@terra.com.br

A vida sem valor, sem sentido…depressão: a vida acinzentada!

Ela está sentada em sua cama, olhando para o nada sem vontade de arrumar-se, comer ou até mesmo olhar-se no espelho. Com muito esforço ela se levanta, escolhe uma roupa escura sem nenhuma alegria ou vida, só faz isso porque sua neta, seu filho e suas irmãs estão chegando para almoçar com ela. Como as coisas mudaram, há um tempo esse dia seria tão esperado, tão celebrado… mas algo está diferente, até as coisas mais amadas são agora um tormento, um peso……..

 

 

Alguma vez você já se sentiu sem vida, sem vontade de sair de casa, sem vontade de conversar, sem vontade de se arrumar…?? Entraremos aqui no sombrio e avassalador universo da depressão e, depois passaremos algumas dicas para ajudar no caminho de volta.

A depressão, um estado de tristeza profunda, desinteresse pela vida e falta de motivação têm aumentado, consideravelmente, o número de suas vitimas. Estima-se que nas próximas duas décadas a depressão será a maior causa de afastamento do trabalho segundo a Organização Mundial da Saúde.

Suas vítimas são mais suscetíveis à vulnerabilidade cardiovascular e mental. Somado a isso, existe a diminuição das respostas pró-inflamatórias (afetando o sistema imunológico) e, diminuição da produção dos neurotransmissores serotonina e endorfina. Esses fatores, associados, deixam as vítimas mais propensas a dores variadas, baixa motivação e funcionalidade comprometida.

O enfraquecimento funcional e o comprometimento da saúde mental e física dos indivíduos, leva-os a um quadro de apatia, que interfere em seus hábitos alimentares, rotina diária e convívio social, podendo ser um sério risco a vida.

Como evitar que sua vida tome esse rumo? Como manter-se eficaz, motivado e comprometido com a vida e seus prazeres?

Existem algumas tomadas de atitude que podem são significativas para a prevenção dessa doença e outras síndromes. Entre essas atitudes temos o fortalecimento das funções executivas, prática atividade física, prática de meditação, valorização da vida.

  • Meditação: Pode promover a ressignificação dos conteúdos mentais, diminuindo a ruminação de pensamentos dolorosos e, também contribui trazendo a mente para o presente, fator fundamental na depressão uma vez que o paciente normalmente vive em função de sofrimentos passados. Medite diariamente.
  • Atividades de Socialização: De extrema importância pois existe a tendência ao isolamento e a negação da fala, dessa forma atividades em grupo estimulam a socialização, promovendo aspectos importantes como formação de novas redes de apoio, oportunidade de conversar e trocar experiências.
  • Prática de Atividade Física: O exercício físico aumenta significativamente a liberação de neurotransmissores importantes para a sensação de bem estar e motivação como: serotonina, noradrenalina, dopamina e acetilcolina. Atividades físicas promovem também, respostas neuro-protetivas significativas no caso da depressão.
  • Use roupas coloridas, ouça musicas animadas, assista filmes leves e engraçados, leia um bom livro, encontre um hobby. São atitudes simples, mas que contribuem muito, lembre-se: as informações chegam ao cérebro através dos cinco sentidos (audição, visão, tato, olfato, paladar) e, atitudes como essas não reforçam o negativismo e pessimismo enviando mensagens de que você quer animar-se.

 

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduanda em psicossomática.

 

Bibliografia de apoio:

AMTUL, Z.; ARENA, A.; HIRJEE, H.; KHAN, Z.; MALDENIYA, P.; NEWMAN, R.; BURHAN, A.; WETMORE, S.; VASUDEV, A.  A randomized controlled longitudinal naturalistic trial testing the effects of automatic self transcending meditation on heart rate variability in late life depression: study protocol. Bio Med Central Complementary e Alternative Medicine. v.14, 2014.

ANDREWS, P.; THOMSON, Jr.  As faces da depressão.  Revista Mente e cérebro. N. 40, 2013

OLEX, S.; NEWBERG, A.; FIGUEREDO, V.  Meditation: Should a cardiologist care.  International Journal of Cardiology. V.168, p. 1805-1810, 2013.

VÍCIOS QUE NOS DESAFIAM DIARIAMENTE       

VÍCIOS QUE NOS DESAFIAM DIARIAMENTE                 

Já parou para pensar em todas as tentações que te desafiam diariamente? Já percebeu que em alguns momentos você é mais forte para resistir à elas e, em outros nem tanto? Essas tentações podem vir das mais variadas formas e, uma delas, são os vícios que tem a característica de gerar uma alteração física, funcional ou emocional.

Uma das muitas definições para vício nos dicionários online diz se tratar de uma dependência física e/ou psicológica que faz com que alguém busque o consumo excessivo de algo.

 

Partindo dessa definição, passamos a entender que todos nós somos tentados e, muitas vezes vencidos, por algum tipo de vício, seja ele uma substância a ser ingerida (doces, bebidas, comida, drogas…), seja uma coisa ou comportamento (redes sociais, jogo, consumismo, sexo, roubo, roer unha…)

Esses “agentes viciantes” fazem parte de nossas vidas, por um único motivo: eles dão a sensação de prazer, ainda que momentaneamente; basta usarmos como exemplo o uso excessivo de redes sociais na atualidade, que vem levando pessoas a viverem num mundo paralelo; ou o preocupante aumento do consumo de bebidas e remédios em nossa sociedade.

De uma maneira muito simplificada, a sensação de prazer ativa no cérebro o sistema de recompensa, onde uma estrutura chamada núcleo accumbens aciona nossas vias dopaminérgicas. Ou seja, quando temos a sensação de prazer temos a liberação de dopamina, um neurotransmissor muito envolvido no controle dos movimentos, humor, aprendizado, concentração, emoção.

Essas vias dopaminérgicas acionadas por esse núcleo são consideradas  mesolímbicas, sugerindo que existe uma forte relação com nosso sistema límbico, nosso grande sistema das emoções. Mais que isso, sugere que existe um trabalho coordenado entre a dopamina e a serotonina.

Assim sendo, quando estamos emocionalmente mais vulneráveis, mais frustrados significa que estamos com baixos níveis de serotonina (principal neurotransmissor do bem-estar, da alegria) e estamos mais propensos a nos “consolar/alegrar”  aumentando a dopamina através de algum agente que nos dê sensação de prazer. Esse agente pode ser a comida, o celular, bebida, drogas etc… Se não tivermos a consciência desse falso poder de consolo desses agentes, ficamos seus reféns.

De acordo com Castro (2004) “a inundação dopaminérgica transforma o prazer em dependência, o desejo em compulsão para a repetição, o pensamento em impulso, o tempo no instante da saciedade e na eternidade da falta, o sofrimento em dor intolerável…”

Problemas nos níveis de serotonina estão tão relacionados com os circuitos de recompensa que os neurocientistas Bear, Connors e Paradiso (2010) comentam, inclusive, que um dos principais fatores para os distúrbios alimentares estão justamente na anormalidade da regulação da serotonina.

Dentro desse contexto, as melhores maneiras de diminuir nossa vulnerabilidade emocional e, consequentemente, aumentar nossa capacidade para resistir às tentações são: fortalecendo nosso córtex pré frontal (nosso centro executivo responsável pelo raciocínio, planejamento e controle de nossos impulsos);  e aumentando a liberação de serotonina que contribuirá para nossa melhora de humor e sentimento de bem-estar.

Inúmeras pesquisas tem comprovado que a prática regular de atividade física, a meditação, estimulação cognitiva constante e convívio pessoal são muito eficazes para nos ajudar a resistir às tentações.

Nossa vida se baseia em inúmeras reações químicas que acontecem o tempo todo dentro e fora de nossa cabeça. A captação e liberação de elementos que gerem reações positivas e benéficas para você está muito mais a seu alcance do que você imagina. Depende de conscientização e tomadas de atitudes.   Mexa-se!

Até a próxima, namastê!

 

Ms. Alessandra Cerri;

sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência aplicada à longevidade e pós-graduada em psicossomática