Arquivo da tag CLAP

VÍCIOS QUE NOS DESAFIAM DIARIAMENTE       

VÍCIOS QUE NOS DESAFIAM DIARIAMENTE                 

Já parou para pensar em todas as tentações que te desafiam diariamente? Já percebeu que em alguns momentos você é mais forte para resistir à elas e, em outros nem tanto? Essas tentações podem vir das mais variadas formas e, uma delas, são os vícios que tem a característica de gerar uma alteração física, funcional ou emocional.

Uma das muitas definições para vício nos dicionários online diz se tratar de uma dependência física e/ou psicológica que faz com que alguém busque o consumo excessivo de algo.

 

Partindo dessa definição, passamos a entender que todos nós somos tentados e, muitas vezes vencidos, por algum tipo de vício, seja ele uma substância a ser ingerida (doces, bebidas, comida, drogas…), seja uma coisa ou comportamento (redes sociais, jogo, consumismo, sexo, roubo, roer unha…)

Esses “agentes viciantes” fazem parte de nossas vidas, por um único motivo: eles dão a sensação de prazer, ainda que momentaneamente; basta usarmos como exemplo o uso excessivo de redes sociais na atualidade, que vem levando pessoas a viverem num mundo paralelo; ou o preocupante aumento do consumo de bebidas e remédios em nossa sociedade.

De uma maneira muito simplificada, a sensação de prazer ativa no cérebro o sistema de recompensa, onde uma estrutura chamada núcleo accumbens aciona nossas vias dopaminérgicas. Ou seja, quando temos a sensação de prazer temos a liberação de dopamina, um neurotransmissor muito envolvido no controle dos movimentos, humor, aprendizado, concentração, emoção.

Essas vias dopaminérgicas acionadas por esse núcleo são consideradas  mesolímbicas, sugerindo que existe uma forte relação com nosso sistema límbico, nosso grande sistema das emoções. Mais que isso, sugere que existe um trabalho coordenado entre a dopamina e a serotonina.

Assim sendo, quando estamos emocionalmente mais vulneráveis, mais frustrados significa que estamos com baixos níveis de serotonina (principal neurotransmissor do bem-estar, da alegria) e estamos mais propensos a nos “consolar/alegrar”  aumentando a dopamina através de algum agente que nos dê sensação de prazer. Esse agente pode ser a comida, o celular, bebida, drogas etc… Se não tivermos a consciência desse falso poder de consolo desses agentes, ficamos seus reféns.

De acordo com Castro (2004) “a inundação dopaminérgica transforma o prazer em dependência, o desejo em compulsão para a repetição, o pensamento em impulso, o tempo no instante da saciedade e na eternidade da falta, o sofrimento em dor intolerável…”

Problemas nos níveis de serotonina estão tão relacionados com os circuitos de recompensa que os neurocientistas Bear, Connors e Paradiso (2010) comentam, inclusive, que um dos principais fatores para os distúrbios alimentares estão justamente na anormalidade da regulação da serotonina.

Dentro desse contexto, as melhores maneiras de diminuir nossa vulnerabilidade emocional e, consequentemente, aumentar nossa capacidade para resistir às tentações são: fortalecendo nosso córtex pré frontal (nosso centro executivo responsável pelo raciocínio, planejamento e controle de nossos impulsos);  e aumentando a liberação de serotonina que contribuirá para nossa melhora de humor e sentimento de bem-estar.

Inúmeras pesquisas tem comprovado que a prática regular de atividade física, a meditação, estimulação cognitiva constante e convívio pessoal são muito eficazes para nos ajudar a resistir às tentações.

Nossa vida se baseia em inúmeras reações químicas que acontecem o tempo todo dentro e fora de nossa cabeça. A captação e liberação de elementos que gerem reações positivas e benéficas para você está muito mais a seu alcance do que você imagina. Depende de conscientização e tomadas de atitudes.   Mexa-se!

Até a próxima, namastê!

 

Ms. Alessandra Cerri;

sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência aplicada à longevidade e pós-graduada em psicossomática

UM POUCO MENOS DE “EU”

UM POUCO MENOS DE “EU”

 

A história passou por vários momentos diferenciados que influenciaram e, ainda influenciam muito o modo de vida da sociedade atual. Costumo dizer em minhas aulas, que temos que conhecer e aprender com o passado para que possamos caminhar para frente melhor e com menos erros.

Na Idade Média difundiu-se o teocentrismo onde Deus era o centro de tudo e, “teoricamente”, os princípios que norteavam os seres humanos eram os da humildade, respeito e abnegação frente à grandiosidade e as vontades de Deus.

Com o passar do tempo, com o renascimento (sec XVII e XVIII)  o ser humano abre sua mente, racionaliza as barreiras do conhecimento, aprimora as ciências e, na dita evolução aparecem figuras importantes como  Rene Descartes que através do cartesianismo pregam o racionalismo, diminuindo assim o valor da alma e dos sentimentos.

Dentro desse contexto, passa a ser valorizado o antropocentrismo, onde o homem passa a ser o centro de tudo. Nessa ótica, todo o resto: coisas, outros seres e a própria natureza estão à serviço desse ser humano, detentor do conhecimento e controle.

Embora seja inegável o grande avanço das ciências, das artes e do próprio ser humano vendo a sociedade hoje com egos tão inflados e voltados para o eu egocêntrico, consumista e exteriorizado, percebemos que talvez esse antropocentrismo esteja subindo demais à cabeça.

 

Talvez o impacto das ideias do antropocentrismo, atualmente, esteja fazendo com que o ser humano foque suas atitudes no ter e supervalorize os “autos” da vida (auto suficiente, auto realizado, auto controle, auto eficiente etc) confundindo-se com  deuses, senhores do universo desejosos de controlar tudo e à todos.

Estamos adoecendo e, não por acaso, autores como  Regina Margis e  Antônio Dias, apontam que as pessoas de personalidade tipo A são mais suscetíveis à doenças cardíacas, e não coincidentemente, essas doenças são as que mais matam nos dias de hoje.

Pessoas com esse tipo de personalidade, segundo esses autores são ambiciosas, controladoras, competitivas, impacientes, hiperativas, investem muito na profissão, são auto disciplinadas, super exigentes e parecem estar constantemente prontas para o combate, prontas para superação desgastando-se emocional e fisicamente.

Claro que precisamos nos desenvolver, precisamos dos “autos” (auto realização, auto eficácia, auto afirmação, auto estima etc) mas não podemos nos desconectar do divino contido em cada ação nossa. Precisamos nos conectar ao sagrado através do reconhecimento do valor do próximo, através da necessidade de cuidar da natureza, através do reconhecimento de nossa pequenez diante do universo. Precisamos exercitar nossa espiritualidade.

O renomado psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Ajax Salvador, num de seus excelentes textos sobre o adoecimento da sociedade coloca que “a noção da unidade sustenta-se agora não mais em Deus, mas na forma do eu (transcendental). Não por acaso os atributos que anteriormente eram atributos exclusivos da divindade passam a ser qualidades do “Eu” (unidade, autenticidade, independência, autonomia, autodeterminação etc.).

Eventos atuais de corrupção, números crescentes de pessoas adoecendo, constantes brigas por poder servem para nos mostrar que talvez esteja na hora de sermos mais humildes e aceitarmos, que no espetáculo da vida, o papel principal ainda cabe à Deus, e a natureza e o próximo dividem constantemente a cena conosco.

Namastê, até a próxima!

 

Ms. Alessandra Cerri;

 sócia-diretora do centro de longevidade e atualização,  de Piracicaba (CLAP), mestre em educação física, pós-graduada em neurociência aplicada à longevidade, pós-graduanda em psicossomática 

 

 

 

 

 

SEUS PENSAMENTOS: suas rédeas


SEUS PENSAMENTOS: suas rédeas

Quantas vezes você já se viu pensando em algo que não queria e que te perturbava? Quantas vezes você ficou remoendo situações do passado ou antecipando acontecimentos futuros? Pois é, como bem disse Augusto Cury “produzir pensamentos não é um opção para o Homo sapiens, mas um processo inevitável”.

O grande problema é que muitas vezes não temos consciência do quanto esses pensamentos nos afetam e ficamos reféns das sensações desagradáveis e prejudiciais que eles nos geram e, quanto mais desejamos não pensar em certas coisas, adivinhe: mais pensaremos. Exatamente, o não para o cérebro funciona como uma espécie de reforço, ou seja, aqueles pensamentos que mais você quer fugir são, exatamente, os que te aprisionam.

A única maneira de se “bloquear” pensamentos é colocando outros mais elaborados e conscientes no lugar. Aqui ressalto a importância da palavra consciente, aspecto muito importante no gerenciamento de pensamentos. Pessoas mais conscientes são pessoas com melhor autogerenciamento, pois têm uma capacidade de perceber as emoções geradas pelos pensamentos e consequentemente reconhecer o que não faz bem e tomar atitudes que possibilitam a ressignificação desses pensamentos.

Tomada de atitude envolve o trabalho das funções executivas do cérebro executadas por uma de nossas áreas cerebrais mais nobres: nosso córtex pré frontal (CPF). Quanto mais eficiente for o trabalho dessa área mais seremos capazes de controlar nossos instintos e passamos a ser conscientes de nossas ações, ou seja, deixamos de funcionar no piloto automático.

 

Assim sendo, para administrar melhor seus pensamentos coloque sua função executiva em ação: reconheça seu pensamento, questione, critique e se identificar que eles te fazem mal, substitua-os. Exija também um alto funcionamento dessa área através da prática de exercícios de memória, raciocínio e exercícios físicos regulares, estimule seus cinco sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão) e pratique exercícios respiratórios e meditação.

Hoje finalizo com uma frase de Platão “O corpo humano é a carruagem. Eu, o homem que a conduz. O pensamento as rédeas. Os sentimentos, os cavalos.”

Que nós tenhamos consciência de nossos pensamentos para que nossos “cavalos” possam ser bem conduzidos e assim, nossa “carruagem” percorrerá os caminhos que nós desejarmos.

Namastê e até a próxima!!!

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP) 

A FELICIDADE EM ALTO MAR

A FELICIDADE EM ALTO MAR : A importância das relações saudáveis

Felicidade

Qual o segredo da felicidade? Jean-Jacques Rousseau nos alerta: “todo homem quer ser feliz, mas para consegui-lo precisa antes compreender o que é a felicidade”.

Se pararmos para refletir, há tantas maneiras de alcançar a felicidade: constituir uma família, ter filhos, construir uma carreira, ajudar ao próximo, relembrar bons momentos, ter um estilo de vida saudável, ser independente, ter amigos, encontrar a serenidade, ter autoconhecimento, viver aventuras.

Falando em aventuras, quero aqui relatar uma experiência que tive num Cruzeiro com mulheres de 45 a 89 anos, muitas das quais aguardavam para embarcar em seu primeiro Cruzeiro, imbuídas de um sentimento de superação, de felicidade, de gratidão. Eu diria que todas estavam num estado de confiança na vida que nos permiti seguir adiante, ousar, rir, viver intensamente, saborear o presente, lidar com as adversidades em etapas, cultivar o bom humor e experenciar o novo da melhor forma possível.

Mulheres que inspiram uma determinação de quem não apenas fazem as coisas acontecerem, mas também sabem permitir que elas aconteçam em seu tempo certo. Mulheres unidas e reunidas, envolvidas em um diálogo animado e trazendo à tona a seguinte reflexão: “o que podemos fazer para sermos felizes e afastar situações que deterioram nossa saúde”? No mesmo instante, uma das mulheres respondeu: “olhem ao nosso redor, apreciem o belo, a imensidão do mar, o céu azul, a brisa que toca nossa face com suavidade, o por do sol, o sorriso estampado no rosto de cada uma de nós, a magia e cumplicidade da amizade feminina, estamos em alto mar, vamos aproveitar e agradecer a vida”!

Apesar da capacidade que temos de viver o presente e apreciar o belo, importante destacar as reflexões de Matthieu Ricard em seu livro: Felicidade: a prática do bem estar. Prossegue o mesmo: “a felicidade não pode ser limitar a algumas sensações agradáveis, a um intenso prazer, a uma erupção de alegria ou a um efêmero sentimento de serenidade, a um dia animado ou a um momento mágico que passa por nós no labirinto da existência.” O respectivo autor nos alerta que essas facetas não são suficientes para caracterizar a verdadeira felicidade, pois esta é a profunda sensação de florescer que surge em uma mente sadia. A felicidade para Matthieu Ricard é “um excelente estado de ser” é também, “uma maneira de interpretar o mundo, pois, se às vezes pode ser difícil transformá-lo, sempre é possível mudar a maneira de vê-lo”.

Várias pesquisas indicam que de fato, podemos reduzir a depressão e aumentar a felicidade, mudando de forma proposital os nossos padrões de pensamentos, algo que requer disciplina, persistência e atenção. A revista Veja de 14/02/2018, traz uma importante reflexão sobre a felicidade, e demonstra que a felicidade duradoura é possível sim. Cientistas vêm pesquisando a luz da neurociência e psicologia a influência da genética e do meio ambiente na felicidade das pessoas. A genética determina 50% da propensão do ser humano para ser feliz. Os 50% restantes vem de fatores externos. A pesquisadora Sonja Lyubomirsky, divide os 50% dos fatores externos da seguinte forma: 8% a 15% dependem de fatores sobre os quais não temos controle total, como o casamento, filhos, trabalho e dinheiro. Os demais fatores externos estão relacionados à FORMA COMO ENCARAMOS O QUE A VIDA NOS APRESENTA e o ambiente e tipos de experiências que buscamos.

Um fator em comum entre os indivíduos felizes, de acordo com a pesquisa da Universidade de Harvard, é a qualidade das relações sociais, sejam elas familiares, amorosas, ou de amizade. Portanto, podemos constatar que as mulheres presentes no Cruzeiro, como descrito no início do respectivo artigo, estão no caminho certo ao refletirem: “O SORRISO ESTAMPADO NO ROSTO DE CADA UMA DE NÓS, A MAGIA E CUMPLICIDADE DA AMIZADE FEMININA”. A palavra feminina está destacada aqui, porque no referido Cruzeiro, no diálogo citado, havia somente mulheres.

E você, caro leitor, qual o caminho que está trilhando para SER FELIZ?

Maristela Negri Marrano

Sócia Diretora do CLAP – Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba.

maristela@centroclap.com.br

FILMES QUE ENSINAM….            

FILMES QUE ENSINAM….      

Os filmes muitas vezes tem essa missão de nos passar ensinamentos; depende do telespectador buscar as mensagens e tentar trazê-las para a realidade. Assisti ao filme “Extraordinário” (título perfeito, aliás) e me surpreendi com as muitas lições que ele nos traz.

Pois bem, o filme em questão conta a história de um menino que nasceu com uma deformidade e, que por muito tempo evita o convívio com a sociedade por ser diferente. Então chega o momento de ir para a escola e, inevitavelmente, enfrentar seus medos e as sombras dos outros; sim porque aqueles que expressam qualquer tipo de preconceito na verdade estão se revoltando contra suas próprias sombras (por hora fiquemos por aqui, pois esse assunto é extenso).

Continuando… alguns personagens mostram a importância de atitudes, por vezes simples, para a transformação de crenças e paradigmas que empobrecem uma sociedade. Nesse filme vemos o papel fundamental dos pais na orientação e no encorajamento dos filhos sem, no entanto, instigar o enfrentamento violento ou hostil.

 

Mostra também o papel de um professor comprometido em passar lições de vida, que por tantas vezes são muito mais necessárias que os assuntos previstos nas grades curriculares rígidas e “robotizantes”. Mais que isso, mostra o papel decisivo de um diretor que percebe as virtudes e as características mais nobres de cada aluno e as valoriza para fazer da escola um ambiente que agrega, que potencializa as capacidades de cada um. Sim as pessoas, felizmente, são diferentes e saber realçar essas diferenças pode significar um grande talento.

Mostra ainda que a gentileza e a compaixão  são facilmente espalhados e contagiados, basta que uma pessoa corajosa enfrente e quebre o “costume padrão”. E numa parte muito educativa e verdadeira mostra uma situação que, infelizmente, vejo cada vez mais comum: o preconceito, o bullying é ensinado em casa, pelos pais porque a criança por si só não nasce discriminando, não nasce querendo humilhar, ela apenas reproduz o que ouve e vê.

Mas é do personagem principal o pequeno-grande menino que recebemos uma das maiores lições: ainda que as pessoas ao seu redor sejam medíocres, agressivas;  ainda que sua vida não seja perfeita, veja o melhor lado de cada um, fortaleça-se na adversidade e distribua gentileza. As pessoas extraordinárias são aquelas que são fortes sem perder a docilidade, lideram sem oprimir e ensinam sem humilhar.   Até a próxima,

Namastê!

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP) 

 

ANSIEDADE

ANSIEDADE:

ATÉ QUE PONTO ELA PODE TE BLOQUEAR? IMAGINE VOCÊ CONTROLANDO ESSE TURBILHÃO INTERNO

 

                                                 Seu coração parece sair pela boca, sua transpiração  incomoda de tão forte, a respiração está difícil, o trabalho precisa ser entregue daqui uma semana, mas a concentração na leitura e estudo está difícil; são tantas atividades iniciadas e não finalizadas; as ideias parecem não vir à mente…. Uma boa noite de sono será a solução, a mente estará mais criativa e a concentração melhor. Mas essa esperança é destruída pela longa noite passada em claro, buscando o sono jamais encontrado……

 

Você já se viu perdido em seus inúmeros pensamentos? Pensamentos que aparecem a qualquer momento, perturbando sua concentração, tirando seu sono? Pois é, iremos explicar um pouco desse turbilhão mental chamado ansiedade e, depois daremos algumas dicas de como controla-lo.

Inicialmente, ela é caracterizada como um sinal de alerta para sensibilizar o indivíduo dos perigos iminentes e prepará-lo para responder a esse perigo. A existência da ansiedade em si, em níveis normais, é benéfica para o organismo, pois nos serve como sinal de aviso.

No entanto, atualmente, esse sinal de aviso está tão acionado que passou a ser o perigo em si, caracterizando-se por um distúrbio negativo que tem tornado o ser humano incapaz de controlar seus sentimentos e, impossibilitando o de alcançar seus objetivos. Seu poder destrutivo é tão sério que ela é acompanhada de disfunção cognitiva (afetando sua capacidade de raciocínio, atenção e memória), comportamental (alterações de humor, alta irritabilidade) e hiperatividade fisiológica (alterações cardiorrespiratória) .

O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é caracterizado como uma preocupação perversa e invasiva e, é associada ao enfraquecimento do funcionamento diário do indivíduo gerando prejuízo na regulação da emoção em consequência da hiperatividade da amigdala, estrutura cerebral relacionada ao medo e emoções negativas. Outra característica é o aumento da frequência cardíaca, dificuldade respiratória e dificuldade para dormir.

A hiperatividade da amígdala pode prejudicar o trabalho do córtex pré-frontal que executa funções importantes como raciocínio, planejamento e está envolvido, ainda, com atividades importantes como atenção e concentração.

Como fazer com que a ansiedade não extrapole a ponto de te prejudicar e impedir de alcançar suas metas?

Algumas dicas são:

 1) Prática diária de meditação.

Estudos com meditação relacionaram sua prática com maior ativação de áreas pré-frontais, incluindo regiões ventro medial, melhora da conectividade amigdala e córtex pré-frontal que estão relacionadas à reatividade do sistema límbico (emocional).

Para se familiarizar com essa técnica inicie sentando-se, confortavelmente, e inspirando e expirando serenamente comece a prestar atenção ao seu ritmo cardíaco e a sua respiração; não julgue seus conteúdos mentais, mas toda vez que seus pensamentos vierem à tona gentilmente volte sua atenção para sua respiração e batimento cardíaco. Aos poucos aumente sua percepção e sinta sua circulação passando por todo seu corpo. Tente ficar nesse exercício pelo menos 5 minutos, no início, e depois gradativamente vá aumentando o tempo conforme vai se sentindo mais a vontade com o exercício. Lembre-se: isso é um treino mental e exige persistência e desafio das dificuldades; sim, no início não é fácil, mas vale a pena o esforço, acredite!

2) Prática de atividade física

Os benefícios da prática frequente de atividade física vão muito além de melhoras físicas. Existem vários estudos comprovando que a atividade física contribui significativamente para a melhora de componentes mentais como funções executivas, aumento da produção de serotonina, endorfina e acetilcolina, aumento a produção de fatores BDNFs (brain derived neurotrofic factor), fatores neurotróficos que sinalizam, aceleram e melhoram inúmeras funções cerebrais.

3) Estimulação de córtex pré frontal

Aumentar o trabalho do córtex pré frontal com atividades que não sejam relacionadas ao trabalho é fundamental para estimular a neuroplasticidade, e diminuir a incidência de pensamentos á deriva. Assim sendo, aumente sua leitura de lazer, faça exercícios cognitivos (caça palavras, sudoku, palavras cruzadas) e inicie uma atividade diferenciada como trabalhos manuais, aprendizado de uma nova língua etc

                                                     Alessandra Cerri

 

 

Bibliografia de apoio:

BOETTCHER, J.; ASTROM, V.; PAHLSSON, D.; SCHENSTROM, O.; ANDERSSON, G.; CARLBRING, P.  Internet based mindfulness treatment for anxiety disorders: a randomized controlled trial. Behavior Therapy. v. 45, p.241-253, 2014.

HOLZEL, B.; HOGE, E.; GREVE, D.; GARD, T,.; CRESWELL, D.; BROWN, K.; BARRETT, L.; SCHWARTZ, C.; VAITL, D.; LAZAR, S.  Neural mechanisms of symptom improvements in generalized anxiety disorder following mindfulness training.  Neuroimage: Clinical. V.2, p.448-458, 2013.

LEAHY, R.  Para vencer a ansiedade. Revista mende e cérebro, N.40, 2013.

ORME-JOHNSON, D.; BARNES, V.  Effects of transcendental meditation technique on trait anxiety: a meta-analysis of randomized controlled trials. The journal of alternative and complementary medicine. v.20, p.330-341, 2014.

ZOGNO, M.A.; VIANA, W.G.  A meditação dirigida: produtividade e qualidade de vida.  Revista cultura e extensão USP, v.3, 2012.

Um novo olhar

Um novo olhar:

A Vida é bela…a Velhice é bela. Dicas para conquistar uma velhice bonita.

 

Ana Cintra conta que seu filho pequeno, com a curiosidade de quem ouviu uma nova palavra, mas ainda não entendeu seu significado, perguntou-lhe: – Mamãe, o que é velhice? Na fração de segundo antes da resposta, Ana fez uma verdadeira viagem ao passado. Lembrou-se dos momentos de luta, das dificuldades, das decepções. Sentiu todo o peso da idade e da responsabilidade em seus ombros. Tornou a olhar para o filho que, sorrindo, aguardava uma resposta. – Olhe para meu rosto, filho. Isto é a velhice. E imaginou o garoto vendo as rugas e a tristeza em seus olhos. Qual não foi sua surpresa quando, depois de alguns instantes, o menino

respondeu: – Mamãe! Como a velhice é bonita!

Junto à história de Ana Cintra, estava a música de Gonzaguinha “Feliz”:

“Viver, e não ter a vergonha de ser feliz […] a beleza de ser um eterno aprendiz […] eu sei que a vida podia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita é bonita, é bonita e é bonita”. Pois bem, os artistas nos revelam: A velhice é bonita. A vida é bonita. Portanto, envelhecer é belo, porque envelhecer é viver, viver é envelhecer, tanto que só pode envelhecer quem está vivo. Viver é construir história, trilhar caminhos possíveis, pois somos constantemente desafiados pela vida. A vida é dinâmica, um processo contínuo de modificações.

Pois bem, como encaramos essas modificações? Como encaramos nosso envelhecimento? Qual o significado que atribuímos ao processo de envelhecer? Será que envelhecer significa olhar-se no espelho e perceber nossos cabelos brancos, nossa pele enrugada? Relaciona-se a ideia de perdas, desuso, inutilidade, doenças? Ou envelhecer significa amadurecimento, acúmulo de experiências, sabedoria, tranquilidade, prazer em viver, com sonhos, desejos, projetos? E ainda, será que envelhecer está apenas nas oposições entre positivo e negativo, ganhos e perdas?

Trata-se de um fenômeno que faz parte do ciclo natural da vida, configurando-se, porém, como um processo complexo, heterogêneo, multifacetado, em que cada pessoa vivencia essa fase da vida de uma forma que envolve perdas e ganhos, encantos e desencantos, os quais são intensificados conforme fatores internos e externos, considerando sua história particular, a estrutura social e cultural onde o sujeito está inserido.

Envelhecer diz respeito à existência humana na complexidade das dimensões física, psicológica, social, econômica, histórica e cultural, desta forma, cada um de nós transmite um significado pessoal e particular deste fenômeno.

Trabalho e tenho desenvolvido pesquisas com pessoas deste segmento etário e constatei que estão rejeitando os estereótipos e preconceitos sobre a velhice. Estão empenhados em criar novas possibilidades e significados para o envelhecimento. Esta fase da vida tem sido vista como um período com potencial para o crescimento, um tempo para fazer planos e ir em busca de suas concretizações, um tempo para explorações pessoais, enfim, um tempo para viver e ser feliz, assim como reflete sabiamente a música de Almir Sater e Renato Teixeira, “Tocando em frente”: […]Penso que cumprir a vida seja simplesmente/compreender a marcha e ir tocando em frente/[…]cada um de nós compõe a sua história/e cada ser em si carrega o dom de ser capaz/e ser feliz […].

Durante nossa convivência com os idosos podemos perceber a vida presente, vivida com intensidade, com prazer. Corroborando com nossas experiências, resgatamos Marrano (2006) e Mirian Goldenberg (2014) ao nos relatarem as ideias mais importantes para conquistar uma velhice bonita.

Dicas para conquistar uma velhice bonita:

  1. Ter um projeto de vida: um projeto para o bem viver, com metas, sentido de direção, o qual pode se determinado desde a infância e também pode ser construído nas diferentes fases da vida. Como quero viver e envelhecer? “Não importa o que a vida fez com você, mas sim o que você faz com o que a vida fez com você”.
  2. Buscar o significado da existência: as pessoas estão sempre à procura de um sentido para viver; próprio de cada indivíduo. Podemos encontrar esse significado de diversas maneiras, seja na família, no trabalho, no amor, na compaixão, na amizade e também na atitude que se tem nas adversidades da vida.
  3. Conquistar e valorizar a liberdade: Muitos idosos afirmam que conquistaram a liberdade de ir e vir, fazer e não fazer, e de ser “eles mesmos”, com suas próprias escolhas. Deixaram de se preocupar com a opinião dos outros e resgataram e valorizaram mais suas próprias vontades e desejos.
  4. Almejar a felicidade: para Sócrates o segredo da sua felicidade, estava no fato de ele próprio, por sua própria vontade, ter escolhido e criado a forma de vida que ele viveu. A felicidade está na possibilidade de ser criada, plenamente, por cada um de nós.
  5. Cultivar a amizade: amigas (os) são parte da “família escolhida”, não obrigatória. Podemos contar com as amigas (os) para dar risada, sair, conversar, nos ajudar, nos acolher.
  6. Viver o presente: viver o aqui e agora, com suas vontades, desejos, escolhas, priorizando a saúde, o bem-estar, os pequenos prazeres. Usar o tempo presente por escolha e não mais por obrigação.
  7. Aprender a dizer não: o não é a palavra que representa a recusa em assumir os papéis impostos pela sociedade. Dizer não é um processo contínuo de escolhas e libertação.
  8. Superar os medos: o medo da velhice, da doença, da dependência, da morte. Entender que envelhecer e morrer constituem o processo natural da vida. É preciso que tenhamos consciência, vontade, disciplina para que façamos escolhas ao longo da vida que contribuam para se viver da melhor maneira possível.
  9. Aceitar a própria idade e as transformações corporais: Entender e aceitar os processos de transformações corporais, sociais, afetivas, cognitivas e compreender que a passagem do tempo trás consigo, perdas e ganhos, encantos e desencantos. Diante esse fato, procurar equilibrar nossas potencialidades e nossas limitações, em diferentes graus de eficácia, nessa fase da vida.

Sabemos das inúmeras dificuldades que passam muitos idosos, discriminações, preconceitos, muitos autores, como afirma Goldenberg (2014), já escreveram sobre isso. Portanto, tivemos como objetivo neste texto, resgatar caminhos para que possamos chegar à última fase da vida de uma maneira mais digna, mais feliz, como nos alerta Mirian Goldenberg “meu objetivo é descobrir os passos necessários para construir a minha própria bela velhice” e assim podermos compartilhar com todos, onde, na medida do possível, possamos viver saudáveis e felizes.

 

Maristela Negri Marrano

 

Bibliografia de apoio:

COELHO, Paulo; SOUZA, Maurício. O Gênio e as Rosas e outros contos. São Paulo: Globo, 2004.

GOLDENBERG, Mirian. A bela velhice. 4ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2014.

MARRANO, N.O. Maristela. Corporeidade Idosa: o significado do envelhecer no discurso dos idosos da comunidade tirolo-trentina. Piracicaba: UNIMEP, 2006.

Aprofundar o conhecimento da vida

Aprofundar o conhecimento da vida

Quem sou, de onde venho, para onde vou?

 

 

Aprofundar o conhecimento da vida, maior relacionamento com Deus e com as pessoas, reflexões que estão relacionadas à condição humana, à inquietude com as perguntas fundamentais da vida: quem sou, de onde venho, para onde vou? Victor Frankl, nos alerta para o fato de que a principal motivação do ser humano está em encontrar o propósito e o sentido da existência humana, o significado de sua vida. Será que já sabemos o nosso?

Maristela Negri Marrano

A BELEZA DAS VELHAS ÁRVORES É DIFERENTE DA BELEZA DAS ÁRVORES JOVENS

A BELEZA DAS VELHAS ÁRVORES É DIFERENTE DA BELEZA DAS ÁRVORES JOVENS

 

DESCUBRA OS CAMINHOS PARA O ENTENDIMENTO DO SER QUE VIVE E CONSEQUENTEMENTE ENVELHECE.

Em 2001, Rubem Alves já dizia “Sessenta e oito anos! Nunca imaginei que isso iria me acontecer. Fiquei velho. Não é ruim. A velhice tem uma beleza que lhe é própria. A beleza das velhas árvores é diferente da beleza das árvores jovens. Triste é quando as velhas árvores, cegas para a sua própria beleza, começam a imitar a beleza das árvores jovens. Aí acontece o grotesco”.

Olavo Bilac também traz-nos esta reflexão em seu Poema: Velhas Árvores

Olha estas velhas árvores, mais belas

Do que as árvores novas, mais amigas:

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas…

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas

Vivem, livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!

Envelheçamos rindo! envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,

Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem!

Pois bem, chega um momento em nossas vidas que envelhecer se torna relevante, mais evidente, ou seja, torna-se mais perceptivo. O momento é diferente para cada um. Eu senti a passagem do tempo quando os amigos de meus filhos começaram a me chamar de Tia. Engraçado, os que têm a mesma idade que você ou mais, te chamam de você, os mais novos, de Senhora! A primeira vez que ouvi, achei estranho, soou diferente! Aí eu percebi, o tempo passou! Como nos diz Spidurso (2005, p. xi), “[…] a consciência pode ser repentina ou sutil, porém, em uma determinada idade, cada um de nós realmente compreende pela primeira vez que não somos imortais”.

Rubem Alves (2001, p.21) nos relata sua descoberta, “foi assim que eu me descobri velho, ao ver a minha imagem refletida no espelho dos olhos daquela moça”. A moça a que o autor se refere é a que lhe cedeu o lugar no assento do metrô. O mesmo nos relata o início de seu “caso de amor” com a velhice: “ Primeira premissa: eu sou velho, o gesto da moça do metrô o atesta. Segunda premissa: a velhice é a tarde imóvel, banhada por uma luz antiquíssima; a metáfora poética assim o declara. Terceira premissa: essa tarde imóvel me encanta, é bela. Conclusão: a velhice é bela como a tarde imóvel”.

Outro dia estava passeando com minha mãe e de repente reencontramos uma amiga que há muito ela não via, conversaram, relembraram da infância no sítio, falaram dos filhos, netos, e se despediram. Em seguida minha mãe falou: – Nossa como ela envelheceu! Neste instante respondi a minha mãe: – Será que ela não está pensando o mesmo em relação à Senhora? Minha mãe riu muito e disse: – Ah… é bem provável!

Será que nosso inconsciente ignora a velhice? A velhice está presente no outro e também somente a partir do olhar do outro, vemos que estamos velhos. Resgato os dizeres de Beauvoir (1990, p. 353) para nos auxiliar nesta reflexão: “É normal, uma vez que em nós é o outro que é velho, que a revelação de nossa idade venha dos outros. Não consentimos nisso de boa vontade. Uma pessoa fica sempre sobressaltada quando a chamam de velha pela primeira vez”.

O envelhecer é único para cada ser humano, um processo de transformação contínua em seu tempo vivido. Há diferenças na percepção, no ritmo, na duração e nos efeitos deste processo. Uns se preocupam mais do que os outros com as marcas corporais deixadas pelo tempo, como os cabelos brancos, rugas, flacidez muscular e muitos tem medo de que com a velhice venha a solidão, a dependência física, econômica e a morte. Minayo (2006) nos revela que estudos antropológicos com idosos brasileiros mostram que, mesmo sofrendo enfermidades e dependências, muitos idosos consideram-se saudáveis (percepção subjetiva) se ao lado de condições materiais de sobrevivência podem contar com redes de apoio social, com ênfase no afeto e na solidariedade familiar e social.

Bobbio (1991) e Neri (2001) nos ajudam a delinear os caminhos do Ser que vive e consequentemente envelhece, Ser este, que deverá desenvolver e adquirir as seguintes habilidades: De entender que a velhice não é uma cisão em relação à vida anterior e sim uma continuação da criança, da adolescência, da juventude, da maturidade que podem ter sido vividas de maneiras diferenciadas; Em ter conhecimento de si, reconhecendo que em nosso corpo envelhecido está à verdade de nossa existência, um processo contínuo de transformações, que supõe fenômenos biológicos, físicos, sociais, culturais, espirituais interdependentes. De ter consciência de seus desejos, metas, sentido de direção, abrir-se para o mundo, com sonhos, projetos, na perspectiva do querer, do seguir adiante buscando a autosuperação; E de ter a clareza que a velhice é uma realidade multifacetada, uma etapa de encantos e também desencantos.

A beleza transcende ao tempo, pois quando descobrimos que somos um todo indissociável, compreendemos que ser um ser humano idoso é apenas uma maneira de adquirir beleza.  Assim, Monteiro (2004, p. 8) nos revela: “Não precisamos pensar que ser jovem é ser bonito e ser velho é ser feio, pois a beleza está em nós porque somos seres com potencialidade irrestrita, somos instáveis e envelhecemos. Se não envelhecêssemos não teríamos nenhuma possibilidade. Como posso acreditar que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje? Porque envelheço. Envelhecer é mudar, é ir além da forma de nós mesmos, buscando descobrir um melhor caminho de ser e de viver. Quando acreditamos nisso um novo horizonte se abre aos nossos olhos”.

Maristela Negri Marrano

1