NA JORNADA DA VIDA

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 DESCUBRA OS BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA A MANUTENÇÃO DA SAÚDE DO CÉREBRO.

Interessante observar, embora saibamos que o esquecimento faça parte do processo de aprendizagem, todos ficamos incomodados com o esquecimento às vezes, nas horas mais inconvenientes. Imagine a esposa esperando um lindo buquê de rosas no dia do aniversário de casamento e o marido nem sequer lembrou! Uma reunião importante, o marido pega a carteira e não encontra a chave do carro, “onde deixei, não consigo lembrar!” O adolescente na prova e não consegue lembrar quanto é nove vezes oito.

Pois bem, quando esses esquecimentos acontecem com os mais jovens, sempre encontramos uma explicação. Ah, ele é desligado, não presta atenção em nada. Mas, diante do esquecimento dos mais velhos, a reação dos outros e deles mesmos é diferente. Minha memória era fantástica, mas agora eu vivo me esquecendo das coisas! Será que estou ficando velho? Quem já não ouviu dos filhos: mãe, você já perguntou três vezes onde será a festa!

Lapsos de memória podem ocorrer provocados pela sobrecarga de atividades comum nos dias de hoje. Se não houver, porém, nenhuma doença que justifique essa perda, com exercício e atenção é possível manter o bom funcionamento da memória. Mas, com a passagem do tempo, ocorrem algumas transformações físicas, cognitivas, sociais, emocionais, espirituais.

O sistema biológico mais comprometido com o processo de envelhecimento é o sistema nervoso central (SNC). Trata-se de um sistema responsável pela vida de relação (sensações, movimentos, funções psíquicas, dentre outros) e pela função vegetativa (funções biológicas internas). Importante destacar que o envelhecimento cerebral também apresenta um ritmo especial devido à heterogeneidade entre as pessoas mais velhas, os decréscimos do processo intrínseco do envelhecimento podem ser menores quando influenciados por hábitos pessoais como dieta, exercício físico, atividades intelectuais, exposições ambientais e constituição física (Cançado e Horta, 2002; Nordan et al., 2009).

O envelhecimento traz consigo um declínio gradual nas funções cognitivas, aqui entendidas como as fases do processo de informação, como percepção, aprendizagem, memória, atenção, vigília, raciocínio e solução de problemas além do funcionamento psicomotor (tempo de reação, tempo de movimento, velocidade de desempenho) (Antunes et al., 2006; Nordan et al., 2009).

As principais alterações características do envelhecimento cerebral normal são: declínio da memória de trabalho e memória recente. O aprendizado de situações ou informações novas, a evocação retardada e repetição de números de ordem inversa são as funções mnêmicas mais alteradas (Damasceno, 1999). As perdas de memória, principalmente as que se refletem em dificuldade para recordar nomes, números de telefones e objetos guardados, são as que mais chamam a atenção dos idosos (Canineu e Bastos, 2002). Silva e Silva (2013) nos alertam sobre as mudanças neurofisiológicas e estruturais que incluem o rompimento das fibras de mielinas de diferentes regiões corticais, diminuição da massa cerebral branca e cinzenta, alterações nos neurotransmissores e na fisiologia das conexões sinápticas, além da deterioração da circulação sanguínea central, perda de neurônios, formação de depósito amiloide nos vasos sanguíneos e células, aparecimento de placas senis e de emaranhados neurofibrilares.  Cançado e Horta (2002) nos alertam, que embora as placas e emaranhados sejam característicos de doença de Alzheimer, eles podem aparecer em cérebros de idosos sem evidência de demência.

Estas alterações acarretam redução do funcionamento cognitivo global e da velocidade de processamento, diminuição de desempenho em tarefas que envolvem a atenção seletiva, atenção dividida e diminuição da eficiência da codificação e resgate das informações, em especial para as tarefas de evocação livre, memória episódica e operacional.

Em contrapartida às perdas cognitivas decorrentes do envelhecimento, apresentamos a atividade física sistematizada como um recurso plausível para a manutenção da saúde do cérebro, evolvendo mudanças na plasticidade sináptica e influenciando mecanismos de aprendizagem e memória.

Diversos estudos têm demonstrado que o exercício físico melhora e protege a função cerebral particularmente em idosos. Dados epidemiológicos sugerem que indivíduos moderadamente ativos têm menor risco de ser acometidos por problemas cognitivos do que os sedentários, mostrando que a participação em programas de exercícios físicos pode ser um importante protetor contra o declínio cognitivo e demência em idosos (Antunes et al., 2006; Antunes, 2003).

 

A seguir os benefícios da atividade física para a manutenção da saúde do cérebro:

 

  • Aumento da circulação sanguínea, transportando mais oxigênio e nutrientes para os neurônios (células do sistema nervoso);
  • Melhora em funções cognitivas como a memória;
  • Diminuição da pressão arterial, melhora no condicionamento cardiorrespiratório, humor, autoestima;
  • Ativação de cascatas musculares e celulares que mantém a plasticidade do cérebro, a vascularização, a neurogênese (nascimento de novos neurônios) e mudanças funcionais na estrutura neuronal.
  • Aumento do fator BNDF (fator neurotrófico derivado do cérebro), molécula que aumenta a sobrevivência dos neurônios, potencializa a transmissão sináptica (impulsos nervosos entre os neurônios), aumenta a resistência do neurônio a danos, melhorando o desempenho cognitivo, aumentando o processo de aprendizagem e memória.

 

Diante todos esses benefícios não dá para ficar parado, pois a vida é movimento, e é esse movimento o responsável por beneficiar todo o seu corpo, incluindo o cérebro, tornando-o mais hábil pela mecânica do movimento e mais lúcido pela fisiologia do movimento, como nos alertou Nuno Cobra (2001).

                                                                      

 

Maristela Negri Marrano

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ANTUNES, Hanna K. M. A influência do exercício físico aeróbico em funções cognitivas e viscosidade do sangue de idosos normais. [Dissertação de mestrado – Escola Paulista de Medicina]. São Paulo, 2003.

ANTUNES, Hanna K. M et al. Exercício Físico e função cognitiva: uma revisão. Ver. Bras. Med. Esporte. v. 12. n. 2 – mar/abr. 2006.

CANINEU, Paulo Renato; BASTOS, Adriana. Transtorno cognitivo leve. In: de Freitas E. V; Py L; Cançado F. A. X; Doll J, Gorzoni M. L; Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

CANÇADO, Flávio A. Xavier; HORTA, Marcos de Lima. Envelhecimento Cerebral. In: de Freitas E. V; Py L; Cançado F. A. X; Doll J, Gorzoni M. L; Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

COBRA, Nuno. A Semente da Vitória. Editora SENAC São Paulo, 2001.

DAMASCENO, Benito P. Envelhecimento Cerebral: o problema dos limites entre o normal e o patológico. Arq. Neuro-Psiquiatr, 57 (1), SP, 1999.

NORDAN, Davidet al. Perda cognitiva em idosos. Rev. Fac. Ciênc. Med. Sorocaba, v. 11, n. 3, p. 5-8, 2009.

SILVA, Henrique S; SILVA, Thaís B. L. Saúde cognitiva e promoção do envelhecimento bem-sucedido. In: Franklin Santana Santos…[et al]. Estimulação cognitiva para idosos: ênfase em memória. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2013.

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