QUAL A RELAÇÃO ENTRE APRENDIZAGEM E MEMÓRIA

QUAL A RELAÇÃO ENTRE APRENDIZAGEM E MEMÓRIA

QUAL A RELAÇÃO ENTRE APRENDIZAGEM E MEMÓRIA

Imagine-se numa praia, sol radiante, água límpida, areia branquinha, sentada na areia, ora lendo um bom livro, ora apreciando o oceano, tudo o que você queria para as férias de Janeiro. Férias deliciosas, não esquecerá, pois como nos diz Rubem Alves, aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.

Pois bem, diante essa reflexão vamos entender qual é a relação entre aprendizado e memória e as diferentes etapas para que a memória possa funcionar.     Squire citado por Gazzaniga et al (2006) prossegue com a explicação: “aprendizado é o processo de aquisição de informação” e “ memória refere-se a persistência do aprendizado em um estado que pode ser evidenciado posteriormente”. Para o respectivo autor, memória então é o resultado do aprendizado, ou seja, a aprendizagem ocorre quando criamos uma memória e a reforçamos pela repetição. Isquierdo (2011) relata que a memória é um processo de aquisição, formação, conservação e evocação de informações. Para o autor, a aquisição é também chamada de aprendizagem, pois só ficará na memória o que foi aprendido, e só lembramos aquilo que memorizamos, aquilo que aprendemos.  Uma definição simples de memória que faça sentido aos leigos e profissionais é entendê-la como: “a habilidade de adquirir, armazenar e evocar informações” (Wilson, 2011, p.21).

Para Kandel et al (1997), aprendizagem é o processo por meio do qual nós e outros animais adquirimos conhecimento sobre o mundo e memória é a retenção ou armazenamento desse conhecimento. A memória, portanto, consiste em um conjunto de procedimentos que permite compreender o mundo, levando em conta o contexto atual e as experiências individuais, como bem coloca Isquierdo (2011), o acervo de nossas memórias faz com que cada um de nós seja o que é: um indivíduo, um ser para o qual não existe outro idêntico. Nós Seres Humanos somos o que lembramos e também somos aquilo que não queremos lembrar. Cada indivíduo é único, é quem é porque tem suas próprias memórias.

Levando em conta as definições dos respectivos autores: Isquierdo (2010, 2011), Wilson (2011), Gazzaniga et al (2006) e Kandel et al (1997) podemos concluir que sem memória, a aprendizagem não seria possível.                      Para que possamos compreender todo esse processo, faz-se necessário conhecer as três diferentes etapas para que a memória possa funcionar.

 

A seguir as 3 diferentes etapas para o bom funcionamento da memória:

  1. Codificação: na etapa da codificação ocorre à aquisição de informações. É a primeira fase da memória que prepara as informações sensoriais para serem posteriormente armazenadas no cérebro. Baseia-se na tradução de dados num código, que pode ser acústico, visual ou semântico. Por exemplo: A afirmação “a areia é branquinha”, pode-se codificar o seu conteúdo como: Uma imagem de sinais que são letras (código visual); uma sequência de sons (código acústico); tomar consciência do significado da afirmação e o que ela representa (código semântico).

A codificação reporta-se à aprendizagem que exige esforço e no qual o objetivo é memorizar a informação. Neste caso, temos de dedicar mais atenção às informações que desejamos memorizar o que leva a uma codificação mais profunda.

  1. Armazenamento: nós temos a retenção da informação sobre algo, por exemplo, minhas férias de janeiro na praia. Ao relembrarmos, recordaremos do livro que lemos, das pessoas que estavam conosco, etc. O processo de armazenamento se inicia logo após o registro do estímulo e pode se estender por horas, dias, meses e anos. Nessa etapa, as experiências e informações novas estabelecem relacionamento com as informações adquiridas anteriormente e vão continuamente sendo ativadas e desativadas.
  2. Evocação: diz respeito ao acesso a informação, para criar uma representação consciente ou para executar um comportamento aprendido como um ato motor, por exemplo, a coreografia de uma dança. Quando lembramos de algo, várias áreas do cérebro são utilizadas. Cada informação produz modificações nas redes neuronais, que se mantendo, permitem que você se recorde do que memorizou.

Apesar de podermos fazer distinção entre as respectivas etapas, na realidade essas etapas interagem umas com as outras.

Vale ressaltar que as memórias são feitas por células nervosas (neurônios), se armazenam em redes de neurônios e são evocadas pelas mesmas redes neuronais ou por outras. Isquierdo (2011) nos alerta para o fato de que as emoções, o nível de consciência e o estado de ânimo interferem no processamento da memória. Acontecimentos que ocorreram com um forte grau de alerta emocional, tornam-se mais fáceis de serem recordados e com maiores detalhes, como por exemplo: nosso casamento, nascimento de um filho, morte de alguém querido. Como fica fácil aprender ou evocar algo quando estamos bem humorados e principalmente bem alertas. E como fica difícil aprender ou evocar qualquer coisa quando estamos mal humorados, estressados, desatentos.

Por isso, vamos regatar sempre o nosso bom humor!

 

Maristela Negri Marrano

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

GAZZANIGA, Michael S; IVRY, Richard B; MANGUN, George R. Neurociência Cognitiva: a biologia da mente. Tradução Angelica Rosat Consiglio…[et al]. 2ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

ISQUIERDO, Iván. A Arte de Esquecer: cérebro e memória. 2º Ed. Rio de Janeiro: Vieira & Lente, 2010.

____. Memória.2º Ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

KANDEL, Eric R; SCHWARTZ, James H; JESSELL, Tomas M. Fundamentos da Neurociência e do Comportamento. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1997.

WILSON, B. A. Reabilitação da Memória: integrando teoria e prática. Tradução: Clarissa Ribeiro; revisão técnica: Rochele Paz Fonseca. Porto Alegre: Artmed, 2011.

 

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