Nossos retalhos, nossa história!           

Nossos retalhos, nossa história!           

Nossos retalhos, nossa história!   

Hoje uma pessoa muito, muito especial em minha vida (minha mãe) me enviou um poema lindíssimo de Cora Coralina: o poema “Sou feita de retalhos”.  Li o poema e como sempre acontece, me encantei com os escritos dessa mulher extraordinária. Cora Coralina me encanta por sua sabedoria mostrada de diferentes maneiras, seja através de seus poemas ou seja através de sua história de vida. Ela é a prova de tudo o que estudo e acredito: sempre é tempo de novos “começos” para quem acredita e se permite estar vivo.

Pois bem, voltando, mais especificamente, ao poema dos retalhos, mais uma vez a escrita sábia de Cora pode ser comprovada. Somos feitos de retalhos, retalhos que variam de tamanho, intensidade, textura mas, são esses retalhos que formam nossa história, são eles que mostram a maneira como tecemos nossa vida. Sim, somos nós, quem escolhemos as cores que queremos que predomine e os tipos de desenhos que ficarão estampados nesses pedaços de história.

Assim como uma colcha, não podemos simplesmente tirar os retalhos que não gostamos, pois eles farão falta, deixarão um buraco no todo, mas podemos sim colocar outros pedaços mais bonitos ao redor desses que nos desagradam e a isso damos o nome de resiliência, ou seja,  seguir em frente mesmo enfrentando obstáculos, problemas e rabiscos da vida. Aliás, é importante ressaltar aqui que quanto maior o potencial de resiliência maiores as probabilidades de um envelhecimento bem sucedido.

 

Nossos retalhos podem ainda ser emendados pelos retalhos de outras pessoas que contribuem para completar nossa colcha. Em alguns momentos da vida, desanimamos e diminuímos o ritmo, ou baixamos a qualidade de “confecção” dos retalhos e, nesses momentos, a família e os amigos são fundamentais para nos auxiliarem na continuidade dos nossos retalhos. Não é por acaso, que o cultivo de amizades e valorização da família são itens importantes na busca do tão sonhado envelhecimento bem sucedido, já citado acima.

Estamos diariamente confeccionando retalhos, algumas vezes não nos atentamos para isso e o fazemos de qualquer jeito, no piloto automático e claro corremos o risco de olharmos para o retalho feito e não nos encantarmos muito, por constatarmos nele a falta de cuidado e capricho. Por isso é importante lembrarmos constantemente que estamos aqui tecendo, construindo nossos retalhos e, quanto mais conscientes e atentos estivermos na escolha das “cores” e mensagens que iremos deixar maiores a chance de gostarmos do produto final que, aliás, não tem fim propriamente dito.

Nossa história é feita com nossos retalhos que imprimem nossos momentos, nossas escolhas, crenças e memórias então teça esses retalhos da melhor e mais cuidadosa maneira possível, esteja consciente da necessidade de escolher as cores (quanto mais cor e mais estampas mais alegre ficará seus retalhos), valorize mesmo os retalhos que você não se orgulha tanto (eles são melhores do que buraco e sustentam o todo) e permita que pessoas queridas e importantes auxiliem você na confecção desses retalhos quando o cansaço e o desanimo te atrapalharem. E o mais importante, se você está aqui é porque é capaz de tecer retalhos preciosos e pode ainda, auxiliar na construção dos retalhos de outras pessoas, ou seja você é parte importante na construção do todo.

Finalizo com um trecho desse belo poema de Cora Coralina “Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Namastê e até a próxima!!!!

Ms. Alessandra Cerri;

Sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduanda em psicossomática

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