Arquivos por ano 2020

A resiliência através da natureza

A resiliência através da natureza

 

O termo resiliência emprestado da física que diz respeito à capacidade de se enfrentar dificuldades, se recuperar frente às adversidades é um dos principais conceitos para o bem viver, com impacto direto em nossa saúde, humor e relacionamento com outras pessoas.

Pois bem, se olharmos atentamente a natureza perceberemos que além de nos possibilitar a vida e nos presentear com sua beleza, ela nos mostra diariamente seu enorme potencial de resiliência. Através dela podemos ganhar preciosos ensinamentos.

Observo encantada, todos os dias uma flor linda que tenho no lago da minha casa chamada Ninféia (da família da Vitória Régia). Essa flor é uma prova viva e uma bonita lição da importância da resiliência na vida.

Ela fica submersa, fechada resistindo a essa condição imperfeita durante muito tempo. Enquanto ela está dentro da água permanece fechada para se proteger e poupar suas energias; no entanto ela está lá viva, apenas quieta, esperando o momento certo. E então, quando o sol começa a aparecer ela começa a sair da água, vindo para a superfície e se abre lindamente, cumprindo seu objetivo de embelezar o ambiente e permitir a perpetuação da espécie.

Estamos de quarentena, obviamente não é nossa condição perfeita; estamos como a ninféia embaixo da água, ou mais especificamente “dentro de casa confinados” então precisamos nos adaptar a essa condição nos protegendo de coisas que nos tiram a força e energia (como notícias alarmistas, pessoas pessimistas ou vírus contagioso) porque essa situação é passageira e daqui a pouco sairemos de nosso “fechamento” e nos abriremos para vida e suas belezas .

Mas por enquanto que sejamos como a ninfeia: ela simplesmente se adapta, se protege, confia e aguarda o momento certo de vir para a luz. Que aproveitemos esse momento de fechamento (de introspecção) para avaliarmos as reais necessidades e importância dos seis aspectos que definem nossa vida: físico, mental, social, espiritual, profissional e familiar. Que aproveitemos para avaliar os principais fatores que podem desequilibrar essas nossas “facetas”.

O que é realmente necessário para você? O que realmente te dá força enquanto você está “embaixo da água” e te motiva, te possibilita vir para superfície? Ao responder essas perguntas você verá que talvez esteja focando grande parte de suas energias valorizando coisas supérfluas.

Tudo na vida é impermanente, essa é alias a lei mais importante da espiritualidade (na minha opinião) e, termos consciência disso nos ajuda a entender que os momentos ruins passarão, por isso não devemos temer e nem reclamar para não gastarmos energia focando no negativo e,  os bons também passarão por isso devemos vive-los intensamente com alegria, gratidão e sabedoria.

 

Até a próxima, namastê!

Ms. Alessandra Cerri;

sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática.

DICAS PARA AMENIZAR OS EFEITOS DO ISOLAMENTO SOCIAL ENTRE OS IDOSOS

DICAS PARA AMENIZAR OS EFEITOS DO ISOLAMENTO SOCIAL ENTRE OS IDOSOS

Nas visitas a minha mãe, tenho ficado bem distante. Estão sendo encontros sem abraços, sem beijos e com diálogos mais rápidos. Na visita dessa semana, perguntei: mãe, o que a senhora está achando desse Coronavírus? – “Ah, uma coisa muita estranha, está fazendo a minha rua ficar sem movimento, está me fazendo ficar presa em casa, não posso tomar cafezinho na padaria, está ficando muito chato! Mas, fazer o que? Estão falando para ficar em casa. Vamos ficar então! Mas, sorte que eu posso assistir à missa na televisão, pedir proteção a Deus”.

Pois é, estamos todos vivenciando uma situação bastante incomum, o Coronavírus se espalhou pelo mundo todo e nos colocou em isolamento social. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o objetivo da medida é minimizar a velocidade de transmissão do vírus que causa a doença Covid 19, e assim, evitar a sobrecarga nos serviços de atendimento médico. E a população com mais de 60 anos é considerada grupo de risco e sujeita a apresentar complicações graves. De repente se depararam com uma realidade bem diferente, abrir mão, temporariamente, do convívio social. Um grupo, que em tempos normais, era incentivado a sair, interagir com todos, e agora, se defrontam com uma série de restrições e novas configurações sociais.

Como trabalho com esse faixa etária, e obviamente estando em quarentena, diariamente entro em contato com nossos alunos e alunas para saber como estão e também para enviar exercícios motores e cognitivos pelo whatsapp.  E ao perguntar como estavam lidando com essa situação, alguns quiseram compartilhar suas experiências, as quais, para mim foram bastante significativas.

Um dos participantes, uma pessoa muito ativa, disse que esse momento trouxe uma reflexão interessante sobre o tempo, pois “quando temos toda liberdade de ir e vir, nós achamos que o tempo voa, mas no isolamento, o tempo demora para passar, e agora, preciso reaprender a usar esse meu tempo extra. Nesse momento, percebo que as prioridades mudaram”.

Uma outra aluna fez um desabafo: “eu moro sozinha, meus filhos não tem condições de passar toda hora aqui, então há momentos que eu preciso sair, fazer compras, pois preciso me alimentar. Mas as pessoas ficam criticando, acham que a gente sai por teimosia, acabam generalizando, todos os idosos são teimosos. Mas essas pessoas que criticam, não sabem de nossas necessidades, ninguém vem perguntar se estamos precisando de ajuda, e também não pensam que chegarão na nossa idade e também terão necessidades diferenciadas”.

E prosseguindo com os meus contatos, mais uma aluna quis compartilhar sua experiência: “Estamos isolados, bombardeados com muita informação sobre o que fazer, o que não fazer, dizendo que idosos não param de morrer e aí, algumas pessoas se desesperam, querem estocar alimentos, remédios. Digo para você, diante essa realidade, escolhi ficar calma, ter fé e emitir vibração positiva, tudo vai passar, ficaremos bem, os nossos corações logo irão se acalmar.”

Acredito que é de suma importância acatar e entender de fato o que essas pessoas estão nos dizendo, pois é uma realidade vivenciada e diferenciada. Trata-se do grupo de maior risco, e por meio desse diálogo e da escuta a respeito de como estão lidando com essa situação, surgiram várias dicas para que possamos introduzir em nosso cotidiano para amenizar os efeitos negativos que o isolamento social pode acarretar.

  • Estabelecer uma rotina diária: dentro das possibilidades continuar com a atividade física (tutoriais na internet, professores criando aulas online). Nada de ficar com o pijama durante o dia, pelo contrário, escolha uma bela roupa, fique bonita (o) para você. Cuidado para não ficar beliscando o dia todo, continue com a rotina das refeições.
  • Transformar os espaços esquecidos da casa: as tarefas domésticas também precisam de um tempo específico, você pode incluir aí, a organização dos armários, arrumações que há tempos você queria fazer e nunca encontrava tempo.
  • Lembre-se do autocuidado: reserve um tempo para fazer o que você gosta, escolha músicas, livros, filmes, séries, faça artesanatos, comece a escrever, faça exercícios de memória, quebra-cabeça, dance, borde, medite e continue com seus sonhos.
  • Mantenha o contato social mesmo à distância: o isolamento é coletivo, conecte-se, compartilhe seu dia e suas experiências com a família, com amigos, através da internet, redes sociais, através de ligações telefônicas.
  • Filtre as notícias: limite o tempo de exposição as notícias, escolha informações oficiais e veículos confiáveis para fazer o apanhado do dia.

Sim, estamos todos assustados, inseguros, com medo, pois na realidade não sabemos exatamente o que vai acontecer, quais os impactos na saúde, na educação, na economia, enfim, na humanidade. Sem dúvida, estamos vivendo um dia de cada vez, estejamos mais conscientes e presentes em cada detalhe de nosso dia, transformando cada dia num generoso campo de amor, compaixão, aprendizado, evolução, para que juntos, possamos expandir a possibilidade de ampliar e mudar nossas perspectivas e resgatar nossas possibilidades e desafios diante a vida.

 

Maristela Negri

Pós-graduada em Neurociências aplicadas a Longevidade – UFRJ

Pós-graduada em Atividade Física e Qualidade de Vida – UNICAMP

Mestre em Educação Física – UNIMEP

Sócia-Diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba – CLAP

marismarrano@terra.com.br

Coronavírus: o caos que despertou nossos maiores medos    

Coronavírus: o caos que despertou nossos maiores medos    

O Brasil assim como outros países está enfrentando a realidade do coronavírus. Ainda não sabemos a extensão dos estragos que o vírus fará por aqui, mas já podemos perceber que o vírus em si não é tão perigoso quanto o estresse emocional que estamos vivenciando antes mesmo do pior período chegar.

Um vírus minúsculo, mas com forte poder de destruição está nos levando a entrar em contato com nossos maiores medos: medo de não termos controle, de adoecermos ou perdemos pessoas que amamos, medo de faltar alimento, medo da solidão… enfim, nossos medos mais instintivos e primitivos estão nos atormentando.

Mais que isso, esse caos instaurado pelo coronavírus (e pela histeria das pessoas) está nos obrigando a fazer algumas reflexões profundas sobre nossa realidade enquanto seres humanos. Trabalhamos tanto (não tendo tempo para coisas simples ou para pessoas que amamos), queremos acumular tanto e, ironicamente, agora estamos com tempo e não sabemos o que fazer direito com ele e pior: estamos com tempo mas, sem poder, muitas vezes, estar com  pessoas que amamos ou gastando o dinheiro que acumulamos . Grande ironia da vida essa….

Estamos percebendo de uma maneira assustadora que a humanidade é um enorme sistema e que o que um órgão (e esse órgão pode ser um país) faz, ainda que a quilômetros de distância, tem um impacto direto em nossa vida. Consequentemente, devemos entender que o que fazemos também tem um impacto na vida de outros. Enfim, percebemos que não vivemos alienados numa bolha…

Também estamos percebendo que embora vivamos para os outros e tenhamos uma necessidade louca de mostrar e exibir nossos feitos, temos uma fragilidade imensa ao estarmos em contato com nós mesmos, nossos pensamentos muitas vezes nos assustam, nos causam insegurança.

Sempre acreditei e continuo acreditando que o caos é muito necessário para as várias formas de evolução: seja ela, ambiental, empresarial ou pessoal então acredito que a humanidade esteja passando por esse caos, por que talvez essa seja a única maneira que o universo tenha encontrado de estabelecer o equilíbrio, perdido com a arrogância humana em se achar Deus, em se achar no controle de tudo.

Perdemos o equilíbrio quando achamos que o dinheiro e o poder compram tudo e todos, perdemos o equilíbrio quando achamos que somos melhores em função de títulos e cargos, perdemos o equilíbrio quando nos negamos a enxergar os constantes avisos de ameaça da natureza, perdemos o equilíbrio quando nos negamos a aceitar o envelhecimento (através de inúmeros procedimentos e medicamentos) e a finitude da vida.

É claro que estamos todos assustados com os últimos acontecimentos, mas que saibamos aproveitar esse período de quarentena para entrarmos em contato com nós mesmos; que saibamos refletir e diferenciar as reais necessidades da raça humana frente aos desejos insaciáveis tão tentadores numa sociedade voltada para o exterior e para o consumo; que saibamos entender que a felicidade pode estar exatamente na simplicidade da vida: no simples fato de estarmos com saúde e ao lado dos que amamos (agora enfim, conseguimos entender o valor de um abraço).

Somos seres acomodados, não gostamos de sair da nossa zona de conforto e muito menos abrir mão de nosso bem estar ou, perder nossa sensação de controle. No entanto, estamos vivendo uma situação momentânea de ameaça (que passará tenho certeza), mas que está nos obrigando a fazer certas mudanças. Talvez a maior delas seja aceitarmos que o coletivo é a única saída para a evolução humana.

Finalizo com a sábia frase de Albert Einstein “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Ninguém passa ileso por um caos; que saibamos então entender as necessidades de mudança, e as prioridades para evolução da raça humana.

Até a próxima, namastê!

 Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática.

Não é só a distância que nos separa do Japão

 Não é só a distância que nos separa do Japão

Tive o privilégio de conhecer o Japão, visitei a capital Tóquio, Kioto e Osaka. Já visitei outros países, mas acho que nenhum me impactou tanto quanto o Japão. O impacto não foi só pelos belíssimos e impressionantes templos e paisagens super bem preservados ou, pelo reconhecido avanço tecnológico, visível em todos os detalhes; embora tenha me surpreendido com essas coisas também, o que me impressionou mesmo foi a civilidade e a educação dos japoneses; o que os diferencia é a preocupação genuína e o respeito com o próximo.

Imagino que essa educação e gentileza estejam diretamente ligadas a espiritualidade cultivada por esse povo. Uma espiritualidade que não está, necessariamente, ligada à religião. Ela está relacionada à busca por um significado mais amplo da vida, está ligada a compreensão de que estamos todos interligados e que nossas atitudes interferem na vida de outros, está relacionada a busca constante por evolução existencial.

Dentro desse contexto David Tacey comenta que a espiritualidade deve ser entendida como uma conexão, um sentir-se unido a uma totalidade maior que transcende o ego e o individualismo.

Por esse motivo, em minha opinião, o povo japonês valoriza profundamente seus ancestrais e, expressa sua espiritualidade entendendo a importância de se fazer o melhor e de se buscar a atitude correta diante das situações diárias. Os estrangeiros percebem isso na cordialidade com que são tratados em todos os lugares, constatam isso nas filas naturalmente organizadas no metrô em pleno horário de pico (não existe correria, tão pouco existe empurrões ou gritaria) ou no silêncio dentro dos metros, trens (gentilmente é solicitado que os celulares fiquem no modo silencioso, você não imagina a sensação de paz que isso traz), reparam na inacreditável limpeza de todos os lugares públicos (até mesmo de banheiros públicos).

Como brasileira senti a enorme distância entre os países, mas infelizmente, essa distância não está só na posição geográfica; está na triste imaturidade evolutiva que nós brasileiros estamos, está no inerente senso de oportunismo, o “tirar vantagem”, que por tantas vezes fica evidente em nosso país, seja nos vários níveis de corrupção, seja no trânsito, seja nas variadas formas de se tentar burlar a lei, seja na falta de respeito com que tratamos os mais velhos …

Essa distância fica evidente na falta de consciência que nós temos do outro, da falta de consciência que temos de que tudo o que fazemos vai ter um impacto direto ou indireto na vida do outro. Nesse mundo acelerado, exteriorizado e individualista que estamos vivendo pessoas que tem a percepção e a compaixão com o outro acabam sendo diferenciadas e, normalmente tem uma preocupação com o auto – aprimoramento espiritual e moral.

Essa espiritualidade exercida no Japão tem também um impacto direto na saúde dessa população que está entre as mais saudáveis e longevas do mundo, sendo inclusive a principal dentro de um dos maiores estudos em longevidade, denominado Blue Zones.

Brigitte Dorst analisando os trabalhos de Jung sobre espiritualidade e transcendência comenta que a ciência tem encontrado evidências muito fortes sobre a relação entre a espiritualidade e a saúde em indicadores como redução de estresse, melhora da expectativa de vida, redução de doenças cardíacas e circulatórias e do incremento de bem-estar.

Precisamos exercitar nossa espiritualidade para termos uma maior consciência de nós mesmos, do outro e da existência de algo maior que nos dê um propósito de busca pelo sentido de vida, um caminho para sermos melhores, mais civilizados e preocupados em deixar bons legados. Precisamos trabalhar nossa espiritualidade através do olhar “para dentro”, aceitando nossas fragilidades, reconhecendo (com humildade) nossas forças, refletindo sobre as possíveis melhoras em nossa trajetória, valorizando a presença e o cuidar do próximo.

Finalizo o texto de hoje com uma frase de Mahatama Gandhi “A única revolução possível é dentro de nós”

Até a próxima, namastê!

Ms. Alessandra Cerri; sócia-diretora do centro de longevidade e atualização de Piracicaba (CLAP); mestre em educação física, pós-graduada em neurociência e pós-graduada em psicossomática.